Mario Sabino

Trump é tão censor quanto o ministro que puniu com a Lei Magnitsky

Donald Trump se vende como defensor intransigente da liberdade de expressão, mas é um censor feroz e hipócrita

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1 de 1 Imagem colorida mostra o presidente dos EUA, Donald Trump - Metropoles - Foto: Chip Somodevilla/Getty Images

Donald Trump se vende como defensor intransigente da liberdade de expressão, mas é um censor feroz e hipócrita.

O mais recente episódio de censura nos Estados Unidos é o da suspensão, por tempo indeterminado, do talk show de Jimmy Kimmel na rede televisiva ABC.

O canal foi pressionado a tirar o programa do ar pela comissão regulatória de comunicações, cuja independência ficou só no papel desde que Donald Trump assumiu a presidência, por causa de um comentário do apresentador sobre o assassinato do ativista conservador Charlie Kirk.

“Atingimos um novo fundo do poço no fim de semana, com a turma do MAGA (Make America Great Again) tentando desesperadamente caracterizar esse garoto que assassinou Charlie Kirk como qualquer coisa menos um dos seus e fazendo todo o possível para lucrar politicamente com isso”, disse Jimmy Kimmel na TV.

É uma fala idiota de um adversário do governo, mas a liberdade de expressão é direito alienável também dos cretinos e sobretudo de quem faz oposição ao poder.

Antes de Jimmy Kimmel, outro apresentador de talk show crítico de Trump teve o seu programa cancelado a partir da próxima temporada: Stephen Colbert, da rede CBS.

A justificativa para o cancelamento foi custo, mas só acredita nisso quem acha que o presidente americano nunca teve amizade comprometedora com o estuprador de menores Jeffrey Epstein: a Paramount, dona do canal, dependia da boa vontade da comissão regulatória para a aprovação da sua fusão com a Skydance.

A Nextar, dona da ABC, também está nas mãos da comissão para aprovar a compra de uma concorrente por U$ 6.2 bilhões, segundo o New York Times.

Depois da retirada do ar do programa de Jimmy Kimmel, o presidente americano parabenizou o canal pela censura, que chamou de “grande notícia”. Ele escreveu na sua rede social que a ABC “teve a coragem de fazer o que precisava ser feito”. É frase de um convicto liberticida.

No mês passado, Donald Trump já havia ameaçado revogar as licenças tanto da ABC como da NBC, a terceira grande rede americana de TV aberta, acusando-as de serem “braço político do Partido Democrata”.

Depois do torpedeamento de Jimmy Kimmel e Stephen Colbert, outros dois apresentadores de talk show, ambos da NBC, estão mira de Donald Trump: Seth Meyers e Jimmy Fallon.

Incomodado com as (boas) piadas de ambos, o presidente americano os chamou de “total losers”. Até aí, ele está exercendo o direito que nega aos aos outros. Mas, no atual contexto, pode ser a senha para que a rede de TV da qual são contratados seja pressionada a demiti-los.

Donald Trump é tão defensor da liberdade de expressão quanto o ministro brasileiro que puniu com a Lei Magnitsky.

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