Mario Sabino

Se for reeleito, Lula terá condição de ser presidente até 2030?

A questão importante é saber se a queda e a hemorragia de Lula não marcam o início de perda de funcionalidades que lhe dão autonomia

atualizado

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A julgar pelas explicações dos médicos que o operaram, a hemorragia intracraniana, fruto da queda ocorrida há 3 meses, não deixará sequelas em Lula.

Nenhuma pessoa, de qualquer idade, está livre de cair, bater a cabeça e ser operada por causa da batida. Mas algumas questões se impõem quando a pessoa tem 79 anos.

Em geral, ocorrências como essas, em homens e mulheres de certa idade, marcam o início de uma decadência inevitável. Aos 79 anos, há quem mantenha boa parte do vigor e do equilíbrio corporais da idade madura, mas há quem já esteja irremediavelmente perdido para a velhice.

O que é a velhice? Ou, mais precisamente, a partir de quando ela começa a se manifestar para além dos cabelos brancos, das rugas, da flacidez da pele, da perda de vitalidade sexual?

É um pergunta para a qual é difícil encontrar uma resposta que valha para todo mundo, visto que a cronologia varia de pessoa para pessoa, a depender da genética, do histórico de doença e das condições de vida.

Não é de hoje, no entanto, que se tenta estabelecer um marco temporal que defina cientificamente o início dessa fatalidade celular. É de meados do século XIX, quando, sem que ainda levasse esse nome, a geriatria começou a existir como especialidade, beneficiada pela criação de grandes asilos que reuniam velhos doentes.

De acordo com a escritora francesa Simone de Beauvoir, que publicou um excelente livro sobre a velhice em 1970, o hospital La Salpêtrière, em Paris, era o maior asilo da Europa há coisa de quase duzentos anos e, como tal, pode ser considerado o núcleo da geriatria.

A velhice encontrou o seu primeiro parâmetro, portanto, como fato médico associado ao diagnóstico e tratamento de doenças degenerativas causados pela passagem do tempo. A abordagem preventiva das consequências da idade, inclusive estéticas, é recente — e mais recente, ainda, é a concepção que dá conta do que seja a velhice, sem que ela implique um início cronológico exato.

Velhice é a perda ocasionada pela idade das funcionalidades que lhe dão autonomia física e mental, dizem alguns médicos agora. Se você as perde com 65 anos, você é um velho; se você as mantém com 80 anos, você não pode ser considerado uma pessoa comprometida pela velhice, por mais que o tempo tenha infligido cicatrizes à sua aparência e o seu vigor já não seja o mesmo.

É uma concepção mais de acordo com uma realidade na qual, por causa dos avanços na medicina, na nutrição, nas atividades físicas e na cosmética, homens e mulheres de 60, 70 e mesmo 80 anos já não são aqueles senhores de meio século atrás. Uma realidade na qual se vive mais e melhor, se você não vegeta na pobreza.

A questão que já havia sido suscitada pela queda e, agora, é renovada pela hemorragia intracraniana de Lula é saber até que ponto elas são ocorrências circunscritas ou já assinalam o início de perda de funcionalidades que lhe dão autonomia. É uma questão importante para o país, uma vez que o presidente da República tem o objetivo de tentar a reeleição. Estará ele apto para, se for vencedor, exercer um segundo mandato até 2030?

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