Mario Sabino

Celso Amorim é radical na dissimulação do antissemitismo

Celso Amorim, ideólogo que dirige de fato as relações exteriores de Lula, quer “relações mínimas” com Israel. Mas e a Rússia, mas e a China?

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

UFBA/Divulgação
Imagem colorida do ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor especial de Lula - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida do ex-chanceler Celso Amorim, atual assessor especial de Lula - Metrópoles - Foto: UFBA/Divulgação

Celso Amorim, o ideólogo que dirige de fato as relações exteriores do governo Lula, disse ao jornalista Ricardo della Coletta que o Brasil não deve aceitar a indicação de um novo embaixador por Israel.

“A posição correta hoje, na minha opinião, é a gente entrar como parte na ação da África do Sul por genocídio; manter as relações [com Israel] em níveis mínimos e ser muito severo no acordo de livre comércio, talvez até suspendê-lo”, disse o valente.

Para não ser acusado de antissemitismo, ele afirmou: “Mas deixa eu dizer a minha posição sobre a questão de Israel. Não tem nenhum radicalismo nisso. É preciso distinguir o povo judeu, que deu imensas contribuições à humanidade; o Estado de Israel, que tem direito de existir e de se defender contra terrorismo ou o que for; e o governo Netanyahu, que está praticando um genocídio”.

Sei. E por que Celso Amorim não defende relações mínimas com a Rússia de Vladimir Putin, que invadiu a Ucrânia, com o propósito de anexar um país soberano, e que aterroriza e mata civis ucranianos? E por que Celso Amorim não defende relações mínimas com a China de Xi Jinping, que persegue violentamente grandes minorias étnico-religiosas, como a dos hui e dos uigures, para não falar dos tibetanos? E por que Celso Amorim não defende relações mínimas com o Irã, que patrocina o terrorismo fundamentalista e oprime o próprio povo, principalmente mulheres?

Sobre o massacre perpetrado pelo Hamas em Israel, que ele se recusa a chamar de grupo terrorista, Celso Amorim tem a dizer o seguinte:

“É claro que a gente é contra o ataque do Hamas, não há dúvida, mas a reação é totalmente desproporcional. Você está matando um povo inteiro. É muito ruim matar 2.000 pessoas, é péssimo, é horrível e condenável. Mas matar 60 mil, 70 mil… mulheres e crianças na fila humanitária, é impensável.”

Na escala hierárquica de adjetivos do ideólogo, é “muito ruim, é péssimo, é horrível e condenável” matar judeus, mas é “impensável” matar palestinos.

Nenhuma palavra sobre os reféns israelenses, vivos ou mortos, ainda mantidos pelo Hamas. Nenhuma palavra sobre o objetivo do Hamas, expresso no seu estatuto, de eliminar os judeus do Oriente Médio. Nenhuma palavra sobre o Hamas utilizar civis como escudos humanos. Nenhuma palavra sobre o próprio Hamas disparar contra palestinos em filas humanitárias e roubar mantimentos para os seus facínoras. Celso Amorim é radical na dissimulação do antissemitismo.

A verdade é que, para a esquerda,  judeus têm “mortezinhas aqui e ali”, um coisa chata, embora compreensível, mas judeus são sempre “desproporcionais” na sua reação, uma coisa intolerável em qualquer tempo. O ideal mesmo seria se os judeus fossem varridos do Rio Jordão ao Mar Mediterrâneo. Aí não seria mais preciso nem ter “relações mínimas” com eles.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comMario Sabino

Você quer ficar por dentro da coluna Mario Sabino e receber notificações em tempo real?