
Manoela AlcântaraColunas

Mendonça dá 30 dias para BC decidir sobre servidores ligados a Vorcaro
Dois funcionários do Banco Central são investigados por orientar o dono do Banco Master sobre a supervisão da autarquia
atualizado
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O ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que o Banco Central (BC) informe à Corte, no prazo de 30 dias, as providências adotadas para apurar a conduta de dois servidores alvos da Polícia Federal (PF) na operação desta quarta-feira (4/3).
Paulo Sérgio Neves de Souza e Belline Santana foram alvo da PF, conforme mostrou a coluna. Os dois são investigados por supostamente ajudar Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a “lidar” com a supervisão do BC.
Mendonça determinou que sua decisão seja encaminhada ao Banco Central para que a autarquia apure administrativamente a conduta dos servidores. O BC já havia aberto procedimento interno para investigar os dois.
Conforme revelou a coluna, Paulo Sérgio mantinha interlocução direta e frequente com Vorcaro e fornecia aconselhamento informal sobre processos administrativos que envolviam o Banco Master dentro da autarquia.
Segundo a PF, o servidor sugeria argumentos e estratégias a serem adotados pelo banqueiro em reuniões com o BC, antecipando possíveis questionamentos da área de supervisão.
A investigação também aponta que Paulo Sérgio chegou a revisar minutas de documentos e ofícios preparados pelo Master antes de serem enviados ao próprio Banco Central, instituição na qual trabalhava. Ele foi afastado das funções por determinação de Mendonça.
Os investigadores afirmam que o servidor atuava como uma espécie de interlocutor interno dos interesses do banco e chegou a informar Vorcaro sobre movimentações detectadas pelos sistemas do BC — o que teria permitido ao empresário adotar medidas para reduzir questionamentos da supervisão.
Viagem à Disney
Segundo a PF, Paulo Sérgio comentou em conversa com Vorcaro no WhatsApp que faria uma viagem a Orlando, nos Estados Unidos, para visitar parques como Disney e Universal.
Em resposta, Vorcaro disse que precisaria “arrumar guia” ao servidor do BC para auxiliá-lo nos passeios. Para a PF, a relação entre os dois indica uma conduta incompatível com o cargo exercido, já que Paulo Sérgio chefiava o Departamento de Supervisão Bancária do Banco Central.
