
Guilherme AmadoColunas

Braga Netto não assinou nada quando assessorou Bolsonaro no Planalto
Ex-vice de Bolsonaro na eleição, general Braga Netto não assinou qualquer documento quando trabalhou no Planalto; salário era de R$ 17 mil
atualizado
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O general Walter Braga Netto, vice na chapa de Jair Bolsonaro em 2022 e ex-ministro da Defesa, não assinou nenhum documento eletronicamente nos três meses em que atuou como assessor especial do gabinete de Bolsonaro no Planalto. O expediente é incomum no serviço público, assim como a agenda do general, que costumava ficar em branco.
Com salário de R$ 17 mil, Braga Netto trabalhou no Palácio do Planalto de 31 de março a 1º de junho do ano passado. Saiu do posto para ser o vice de Bolsonaro na campanha presidencial. Nesses 93 dias, Braga Netto não usou sua assinatura eletrônica nenhuma vez, como afirmou a Presidência por meio da Lei de Acesso à Informação.
A assinatura eletrônica de documentos é o padrão para qualquer registro que tramita em órgãos públicos. Seja o despacho de um processo, uma consulta a outro departamento ou até um pedido de férias.
No sistema de documentos da Presidência, a passagem de Braga Netto pelo Planalto foi muito semelhante à do general Eduardo Pazuello, atual deputado federal. Em 10 meses no palácio, Pazuello assinou apenas três documentos, sendo um para pedir um apartamento funcional. O ex-ministro da Saúde foi secretário de Estudos Estratégicos e assessor especial de Assuntos Estratégicos.
Procurado, Braga Netto limitou-se a afirmar que quando trabalhou no Planalto “participou de reuniões internas, audiências e viagens devidamente publicizadas, seguindo o previsto em legislação”.