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Sinpol-DF repudia exclusão de policiais civis da “xepa” de vacinas

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) disse que as doses reservadas à corporação são insuficientes

atualizado 06/04/2021 13:31

Policiais civis do DFIgo Estrela/Metrópoles

O Sindicato dos Policiais Civis do Distrito Federal (Sinpol-DF) criticou a nova regra para a destinação das doses remanescentes das vacinas contra a Covid-19, chamadas de “xepa”. A regulamentação também foi criticada pelo Sindicato dos Delegados do DF (Sindepo-DF).

Em nota, o Sinpol-DF disse que a medida da Secretaria de Saúde do DF exclui os policiais civis, ao reservar a “xepa” para servidores que estiverem prestando apoio às atividades da equipe de saúde. A questão é que a atividade de escolta, que é preventiva, é feita pela Polícia Militar do DF (PMDF). A Portaria nº 78, da Secretaria de Saúde, veio à público na segunda-feira (5/4).

Presidente do Sinpol-DF, Alex Galvão disse à coluna Grande Angular que defende a universalização da “xepa”, de forma que todas as forças de segurança sejam contempladas.

“Quem estava adotando o critério para aplicação das doses remanescentes eram os coordenadores do ponto de vacinação, preferindo vacinar policial militar, por exemplo, em detrimento do policial civil e do penal. Ontem, no fim do dia, saiu circular dizendo que somente o pessoal que estava fazendo a escolta, naquele momento, poderia ter direito à xepa”, explicou.

O Sinpol-DF divulgou nota, nesta terça-feira (6/4), em que rechaça a orientação da Secretaria de Saúde: “Na avaliação da diretoria do Sinpol-DF, a decisão é lamentável e deve ser rechaçada, uma vez que faz uma distinção entre os servidores da segurança pública quando todas as categorias estão atuando na linha de frente no combate à pandemia e estão altamente expostas ao coronavírus”.

O sindicato pontuou que os policiais civis lideram o índice de contaminação entre as demais categorias, com 15,47% de infectados. “Esse dado indica que eles têm três vezes mais chances de contágio do que o cidadão comum e chama ainda mais atenção quando comparado com os servidores da Saúde, cujo índice de contaminação é de 10%”, assinalou.

Segundo a entidade, o número de doses reservadas para a Polícia Civil do DF (PCDF), na imunização que começou há um dia, é insuficiente: “Foram disponibilizadas apenas 350 doses para um efetivo que soma mais de quatro mil policiais”.

“Não é possível fazer segurança pública por teletrabalho. Não é possível conduzir investigações, desbaratar quadrilhas – inclusive, que agem no serviço público –, por teletrabalho. Mas, para tudo isso, inclusive para o enfrentamento da Covid-19, é necessário imunizar esses policiais”, destacou Alex Galvão em vídeo publicado nas redes sociais.

Confira a manifestação de Alex Galvão:

“Segurança pessoal”

Na segunda-feira, o presidente do Sindepo-DF, delegado Rafael Sampaio, criticou a decisão da Secretaria de Saúde sobre a “xepa”.

“A Secretaria de Saúde hoje escreveu mais uma triste página de sua história. Em uma decisão escandalosa, a Secretaria de Saúde decidiu que o grupo prioritário para tomar as doses remanescentes são apenas os servidores que prestam apoio aos postos de saúde e equipes de vacinação”, disse Rafael Sampaio.

Para o presidente do Sindepo-DF, a regulamentação demonstraria a “preocupação com a segurança deles”, e não com os profissionais que estão na linha de frente do combate à pandemia.

“A morte e o adoecimento de um policial, a mais ou a menos, para eles, parecem não importar, contanto que tenha uma equipe saudável para sua segurança pessoal. Uma lástima essa decisão. A cúpula da Saúde já gerou muitos danos ao governo durante a pandemia, podia passar sem esse”, reclamou.

Assista ao vídeo de Rafael Sampaio:

 

O secretário de Segurança Pública do DF, Júlio Danilo Souza Ferreira, chegou a enviar ofício ao secretário de Saúde, Osnei Okumoto, sugerindo que as corporações se dividissem para atender os pontos de vacinação.

Nesse cenário, as doses remanescentes de cada local seriam destinadas para a força de segurança que presta apoio à unidade. O documento foi enviado no dia 1º de abril, mas a proposta não avançou.

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