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Ambipar: apontado como pivô do colapso, ex-CFO aciona a Justiça

João Arruda protocolou na Justiça pedido de busca e apreensão de documentos da multinacional brasileira

atualizado

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João Arruda, ex-CFO da Ambipar
1 de 1 João Arruda, ex-CFO da Ambipar - Foto: Linkedin/Reprodução

Apontado pela Ambipar como pivô do colapso da multinacional brasileira, o ex-CFO João Arruda ingressou na Justiça de São Paulo com um pedido de busca e apreensão de documentos que possam contribuir como provas contra diretores do grupo.

A defesa do ex-executivo argumenta que os documentos poderiam ser destruídos. O pedido mira papéis relacionados à operação que Ambipar afirma ter desencadeado a crise: a assinatura do aditivo ao contrato de derivativos com o Deutsche Bank.

A Ambipar afirma que coube a Arruda o andamento do negócio, que teria sido fechado por ele com um velho conhecido: o vice-presidente do Deutsche Bank, Henrique Ramin.

Como mostrou a coluna, Arruda e Ramin trabalharam juntos no Bank of America (BofA). Arruda saiu para assumir o posto de CFO da Ambipar e Ramin o de vice-presidente do Deutsche Bank.

Em fevereiro deste ano, Arruda e Ramin teriam estruturado um bond para captar US$ 493 milhões, com hedge cambial feito com o Deutsche Bank — do qual Ramin já era VP há quase seis meses – e decidido transferir para o banco alemão também o hedge de um bond de 2031 feito quando ambos ainda estavam no Bank of America (BofA). O argumento usado foi o de que isso reduziria custo para a Ambipar.

Já em março deste ano, ambos começam a estruturar o chamado PIK Bond, que é um instrumento financeiro que adia o desembolso de caixa, mas aumenta o endividamento total. Isso porque se trata de um título de dívida em que os juros são pagos com mais títulos de dívida — e não em dinheiro.

A Ambipar diz, ainda, que o banco alemão passou a fazer ameaças diárias caso as margens não fossem depositadas – o que, na prática, significava que 100% das dívidas venceriam de imediato.

Ao saber do contrato do PIK Bond, o Banco Santander também antecipou o vencimento de US$ 112 milhões, passando a exigir pagamento imediato – e o Itaú seguiu uma trilha parecida, ameaçando cobrar US$ 90 milhões de uma dívida contratada nos EUA. Criou-se, então, um espiral, de acordo com a Ambipar.

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