
Demétrio VecchioliColunas

Palmeiras avança para pagar R$ 10 milhões e ter CT por mais 20 anos
Palmeiras e prefeitura de São Paulo têm acordo para o clube permanecer na Academia de Futebol por mais 20 anos
atualizado
Compartilhar notícia

Palmeiras e prefeitura de São Paulo têm conversas avançadas para renovar, por mais 20 anos, a concessão do terreno municipal onde fica a Academia de Futebol, o centro de treinamento da equipe masculina profissional alviverde, na Barra Funda. O clube já aceitou o preço dado pela administração municipal: R$ 10,7 milhões.
O atual contrato, assinado em 1988, tem validade de 40 anos, o que significa que só vai vencer em 2028. O Palmeiras, porém, tomou a iniciativa de buscar a renovação em meados do ano passado, com antecedência.
Apoiou-se em nova legislação sancionada em 2023 pelo prefeito Ricardo Nunes (MDB) autorizando a prefeitura a renovar diversas concessões, incluindo os vizinhos centros de treinamento de São Paulo e Palmeiras e áreas onde estão clubes como Portuguesa, Corinthians e Espéria.
Esta lei, contudo, exige o pagamento de contrapartidas. E a prefeitura propôs que o Palmeiras pague a compra e a entrega de 100 módulos habitacionais destinados à implementação de vilas de acolhimento. É o programa “Vila Reencontro”, que oferece solução de moradia digna para pessoas em situação de vulnerabilidade, muitas vivendo na rua.
O Palmeiras já concordou com a condição. Em documento enviado no mês passado à Coordenadoria de Gestão do Patrimônio Imobiliário do Município de São Paulo, pediu, porém, que o acordo seja fechado com o valor máximo de R$ 10,7 milhões, verba que a prefeitura diz ser a necessária para a aquisição de 100 moradias.
Em documento obtido pela coluna, o Palmeiras diz que topa discutir a estruturação jurídica e operacional do acordo, desde que com a premissa de que a obrigação observará valor global de R$ 10.785.000,00. No entender do Palmeiras, a conta precisa ser quantos módulos dá para comprar com esse dinheiro, não quanto dinheiro é necessário para comprar 100 módulos.
Pelo pacote negociado, seria dada quitação, em troca desses R$ 10,7 milhões, também nas pendências relativas à atual concessão. O Palmeiras, quando recebeu o terreno na década de 1980, se comprometeu com a prefeitura a abri-lo semanalmente para atividades esportivas de escolas e da Secretaria de Esporte, o que nunca aconteceu com regularidade, por falta de iniciativa dos dois lados.
O acordo já tem aval da Secretaria Municipal de Assistência e Desenvolvimento Social (SMADS), responsável pelo Vila Reencontro, da subprefeitura da Lapa e da Procuradoria Geral do Município, que esta semana sugeriu que também sejam ouvidas a Secretaria Municipal de Gestão (SEGES) e sua assessoria jurídica a respeito do ajuste.
Com essas últimas autorizações, o assunto seria devolvido à Secretaria de Governo para o prefeito Ricardo Nunes dar a palavra final.
