
Claudia MeirelesColunas

2ª edição do Congresso da Felicidade mobiliza mais de mil brasilienses
O Congresso Internacional da Felicidade aconteceu na última sexta-feira (20/3) e teve como tema central a Educação para a Felicidade
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O clima de contentamento e bem-estar tomou conta de Brasília na manhã de sexta-feira (20/3). Autoridades, especialistas e convidados ilustres se reuniram no Museu Nacional da República para a 2ª edição do Congresso da Felicidade, idealizado por Cosete Ramos e realizado pelo Instituto de Produção Socioeducativo e Cultural Brasileiro (IPCB), com apoio do Ministério da Cultura e da Secretaria de Articulação Federativa e Comitês de Cultura.
A data do encontro coincidiu com o Dia Internacional da Felicidade, instituído pela Organização das Nações Unidas (ONU) em 2012, com o objetivo de reforçar a importância da felicidade como um dos parâmetros para o desenvolvimento social e econômico.
2ª edição do Congresso da Felicidade
Como já é tradição, o evento teve início com o simbólico Abraço pela Felicidade de Brasília. A anfitriã, Cosete Ramos, conduziu o momento e deu as boas-vindas aos quase dois mil convidados. Entre as presenças ilustres, estiveram a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão; a senadora Leila Barros (PDT-DF); a subsecretária de Educação Básica do Distrito Federal, Iêdes Braga; e o prefeito de Alegrete (RS), Jessé Trindade (MDB).

Em entrevista à coluna Claudia Meireles, a pioneira e presidente da Aliança das Mulheres que Amam Brasília (AMA Brasília), Cosete Ramos contou um pouco mais sobre o evento, que teve como tema central a Educação para a Felicidade.
“A felicidade é algo que você precisa se educar para sentir — ela não acontece automaticamente. É um sentimento que pode ser individual, mas também coletivo. Eu, que estou aqui há 66 anos, tenho ainda novos sonhos para Brasília. Antes, eram sonhos de esperança. Agora, são sonhos de felicidade”, destacou.
O presidente do IPCB, Jorge Luiz, responsável pela organização do Congresso Internacional da Felicidade, destacou o papel do evento na criação de marcos e estruturas governamentais. “É preciso que as pessoas vejam a felicidade como algo fundamental para a existência humana”, salientou.

Presença internacional marca congresso
Um dos destaques da programação, o evento contou com a participação internacional do diretor-executivo do índice de Felicidade Interna Bruta (FIB), Lhatu. Natural do Butão, o especialista trouxe explicações sobre o índice criado no país do Sul da Ásia, que se tornou referência global em desenvolvimento voltado ao bem-estar.
Durante a palestra, Lhatu enfatizou que o papel do governo vai além do crescimento econômico e deve estar diretamente ligado à promoção da qualidade de vida da população. Para sustentar essa visão, o país estruturou quatro pilares fundamentais: desenvolvimento econômico, preservação cultural, boa governança e sustentabilidade socioeconômica.

“Esses pilares são interdependentes e precisam caminhar juntos para garantir um desenvolvimento equilibrado”, frisou Lhatu.
Outro ponto que chamou atenção foi a forma como o tempo é encarado dentro desse conceito. O especialista ressaltou que, na rotina acelerada atual, muitas pessoas já não conseguem sequer fazer uma refeição com tranquilidade — um sinal claro de desequilíbrio. Para ele, repensar a forma como dividimos o tempo entre trabalho, família e lazer também é um parâmetro essencial para alcançar o bem-estar.

Em entrevista, Lhatu também compartilhou suas impressões sobre sua primeira visita a Brasília. Na avaliação dele, a capital reúne características que podem servir de base para a construção de indicadores próprios de felicidade, adaptados, claro, à realidade local.
“Quando vi Brasília do avião, pensei que seria uma cidade muito fechada, com muitos prédios e trânsito intenso, como em outras grandes capitais. Ao chegar, tive uma impressão completamente diferente. As pessoas são respeitosas, cuidadosas, abertas e muito prestativas. É um lugar bonito, com espaço, natureza e um céu que você consegue ver — algo que faz diferença na qualidade de vida”, destacou.
Vice-governadora do DF, Celina Leão, reforça compromisso com o bem-estar
Ao final da palestra de Lhatu, a vice-governadora do Distrito Federal, Celina Leão, foi convidada a subir ao palco, reforçando a presença institucional no congresso. “Eu quero fazer um estágio no Butão”, brincou ao cumprimentar o público presente.
Absorvendo os conhecimentos apresentados, Celina fez questão de reiterar a importância de um evento que coloca em evidência a busca por uma melhor qualidade de vida para a população do Distrito Federal.

“O melhor dessa cidade é o povo que vive nela. A felicidade pode ser construída a partir de princípios sólidos”, destacou.
Diante dos desafios da gestão da capital, Celina reafirmou os rumos de projetos voltados ao bem-estar. “Nós estamos criando uma subsecretaria de saúde mental. Hoje vivemos hiperconectados e o mundo enfrenta uma onda de ansiedade”, anunciou a vice-governadora.

O que faz os brasilienses felizes?
Os presentes também tiveram, em primeira mão, o resultado da pesquisa Felicidade no Distrito Federal: fatores associados e implicações para Políticas Públicas, realizada pelo Instituto de Pesquisa e Estatística do DF (IPEDF), para compreender os fatores que impactam o bem-estar da população.
O diretor-presidente do IPEDF, Manoel Barros, apresentou os dados do levantamento, coletados entre abril e maio de 2025. Ao todo, foram entrevistados 1.705 moradores da capital federal, com o intuito de criar um termômetro da felicidade, medido em uma escala de 1 a 10 — sendo 1 “muito infeliz” e 10 “muito feliz”.

O resultado surpreendeu os presentes: 63% dos brasilienses estão posicionados no nível 8 ou acima. Entre as respostas sobre o que mais contribui para a felicidade, seis palavras ganharam destaque: família, saúde, Deus, trabalho, amor e dinheiro.
“A pesquisa nos direciona para sinalizadores capazes de mobilizar medidas públicas e propostas que melhorem essas percepções”, salientou Manoel Barros.
Escola da Felicidade
A subsecretária de Educação Básica do Distrito Federal, Iêdes Braga, também participou do congresso e listou os pilares mais importantes para a promoção do bem-estar nas escolas, especialmente nos centros de ensino do Distrito Federal.
“Pertencimento, propósito e acolhimento são alguns dos principais parâmetros que devemos seguir. A felicidade não é ausência de problemas. É presença de sentido”, afirmou.

Durante o painel, Iêdes também anunciou os vencedores do Concurso de Arte Educação para a Felicidade 2025, iniciativa que mobilizou escolas da rede pública do DF com o objetivo de motivar a reflexão sobre o tema no ambiente escolar.
Foram premiados os quatro melhores desenhos de cada etapa de ensino: educação infantil, ensino fundamental I, ensino fundamental II e ensino médio. O resultado deu origem a um livro sobre a Escola da Felicidade, reunindo as produções das turmas vencedoras.
Cosete Ramos palestra sobre Educação para a Felicidade
A presidente da AMA Brasília e idealizadora do congresso, Cosete Ramos, trouxe ao centro do debate a relação entre ciência e felicidade, explicando como a mente pode ser educada para alcançar esse estado.
“A gente não costuma pensar que a felicidade pode ser um tema científico. Onde está a sua felicidade? É preciso trabalhar para alcançá-la”, provocou.
Para tornar a explicação mais didática, Cosete recorreu às emoções e convidou ao palco personagens da Companhia de Teatro Néia & Nando, inspirados no filme Divertidamente: alegria, medo, nojo, tristeza e raiva.
Com a dinâmica, a pioneira demonstrou como cada emoção atua no cérebro e influencia o dia a dia. “A alegria é uma emoção automática. Já a felicidade é um sentimento consciente — e, portanto, uma escolha. Quando você entende isso, passa a comandar o seu cérebro”, explicou.
Para engajar o público, Cosete também conduziu uma “ginástica da felicidade”. Empolgados, os participantes acompanharam os movimentos, encerrando a atividade com um abraço coletivo.

Felicidade na Constituição
O diretor do Movimento Brasília Capital da Felicidade, Eduardo Ruy Ramos, conduziu um painel com autoridades para discutir o tema na capital federal. Participaram a ex-vice-governadora do DF e representante do Conselho de Desenvolvimento Econômico, Sustentável e Estratégico do Distrito Federal (Codese-DF), Ivelise Longhi; a secretária executiva de Governo, Sueli Rodrigues de Sousa; o presidente da OAB-DF, Paulo Maurício Braz Siqueira; e o prefeito de Alegrete (RS), Jessé Trindade.
“Um dos nossos propósitos é que a felicidade faça parte da Constituição, como ocorre nos Estados Unidos. Ainda não é realidade no Brasil, mas estamos avançando para a criação de uma comissão da felicidade em Brasília, pela OAB”, afirmou Eduardo Ruy Ramos.

Ranking mundial da felicidade
No Dia Internacional da Felicidade, também foi divulgado o Relatório Mundial da Felicidade 2026, que destaca os países com maiores índices de bem-estar. A Finlândia permanece na liderança pelo nono ano consecutivo. O top 5 é dominado pelos países Islândia, Dinamarca, Costa Rica e Suécia, respectivamente.
O Brasil também tem motivos para comemorar. A nação verde-amarelo subiu quatro posições e, agora, ocupa o 32º lugar.

Representando a Finlândia, o embaixador Antti Kaski destacou que o resultado é fruto de uma construção social. “A felicidade finlandesa é fruto da nossa sociedade. É resultado de uma infraestrutura de bem-estar. Em um mundo cheio de desafios, esse destaque não é apenas uma conquista, mas um lembrete da importância de se construir uma sociedade justa”, compartilhou.
O ministro da Educação da Finlândia, Anders Adlercreutz, enviou um vídeo ao Congresso e destacou a importância do tema, sobretudo, para a educação das crianças e adolescentes.
“A felicidade não é um luxo, mas a base da aprendizagem. Uma criança que se sente segura, apoiada e valorizada está pronta para aprender. Um sistema educacional que promove o bem-estar emocional cria as condições para a curiosidade, a criatividade e a aprendizagem profunda florescerem”, afirmou.
Programação extensa
Encerrando a programação, o público ainda acompanhou discussões sobre felicidade no ambiente corporativo, comandado pela primeira diretora de Felicidade do Brasil, Lívia Azevedo. “Minha atuação busca promover ambientes mais seguros psicologicamente, onde líderes possam estimular o potencial das equipes”, explicou.

A reflexão sobre o bem-estar também se conectou à espiritualidade. O bispo JB Carvalho encerrou o evento com reflexões sobre transformação interior e renovação do pensamento como caminhos para uma vida mais plena.

Veja os highlights do 2º Congresso da Felicidade:
Confira quem esteve no 2º Congresso da Felicidade de Brasília, pelas lentes dos fotógrafos Augusto Costa e Gustavo Lucena:






































































































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