Portal da Transparência erra ao nomear presidente do Iprev no BRB

Ney Ferraz chegou a ser indicado para assumir a vaga no Conselho de Administração do banco local, porém, o BC apontou conflito

Felipe Menezes/MetrópolesFelipe Menezes/Metrópoles

atualizado 22/01/2020 15:42

O Portal da Transparência do GDF apresentava, até a noite dessa terça-feira (21/01/2020), o presidente do Instituto Previdenciário do DF (Iprev-DF), Ney Ferraz Júnior, como integrante do Conselho de Administração do BRB. Salário de R$ 8.750,71.

Mas ele nunca assumiu essa função. Embora, realmente, tivesse sido indicado para integrar o colegiado, o nome de Ney não foi aprovado pelo Banco Central do Brasil (BC).

Contudo, o site do GDF registrou, até o momento dos questionamentos feitos pela coluna, informações sobre o suposto mandato de Ney no conselho. Segundo as informações oficiais, a vigência teria se iniciado em 10 de abril de 2019. O dado foi retirado do ar após contato do Metrópoles.

Nas atuais circunstâncias, Ney não poderia assumir o posto. A Lei nº 13.303/2016 proíbe secretários em Conselho de Administração ou diretoria de empresa pública e de sociedade de economia mista, que é o caso do BRB. Como presidente do Iprev-DF, Ney tem status de secretário.

Na condição de acionista do BRB, o Iprev-DF tem cadeira garantida no colegiado do banco. Com a incompatibilidade dele para a função, o instituto deverá indicar outra pessoa.

A partir do alerta do Banco Central sobre o conflito envolvendo Ney e o colegiado do BRB, ainda assim, cogitou-se a ida do presidente do Iprev-DF para um outro conselho do banco, com o mesmo salário, porém com atuação mais discreta.

Ney está à frente do Iprev-DF desde março de 2019. Em junho do mesmo ano, foi condenado pelo Tribunal de Contas da União (TCU) a pagamento de multa no valor de R$ 40 mil por irregularidades em contrato executado no período em que atuava como gerente-executivo do INSS em Teresina (PI).

Na época, a condenação gerou um burburinho sobre a permanência de Ney no GDF, já que entre as determinações do TCU estava a de que ele ficaria impedido de assumir cargo de confiança no governo federal. Como a restrição era em âmbito da União e coube recurso da decisão, o governador Ibaneis optou por mantê-lo.

As sanções foram anuladas em 14 de agosto de 2019. A decisão ocorreu em análise dos embargos de declaração.

Reprodução
Presidente do Iprev-DF, Ney Ferraz Júnior
O que dizem

À coluna, o presidente do Iprev-DF disse que nunca foi nomeado, não recebeu remuneração do conselho e que vai desistir da indicação. Ney enviou à reportagem uma declaração assinada pela secretária-executiva da Presidência confirmando suas declarações (veja abaixo).

“Eu preenchia todos os requisitos. Mas o Banco Central alertou que poderia haver conflito. Então, estou obedecendo. Não vou assumir nenhum conselho do banco, não”, afirmou Ney.

Em nota, o Iprev-DF informou que o dado equivocado do conselho do BRB no Portal da Transparência refere-se à indicação e não à posse de Ney.

E a Secretaria de Economia declarou que o presidente do Iprev-DF não recebeu qualquer tipo de remuneração relacionada ao cargo de conselheiro do BRB. “Foi solicitada à Controladoria-Geral do Distrito Federal a urgente retificação dessas e de quaisquer outras informações correlacionadas no Portal da Transparência do GDF”, completou.

Após a publicação da matéria, a Controladoria-Geral do DF, administradora do Portal da Transparência, enviou nota à coluna afirmando que o conteúdo do site do GDF é de “total responsabilidade das secretarias e órgãos, gestores da informação”.

Confira o que mostrava o Portal da Transparência do DF:

Reprodução/Portal da Transparência do DF

 

E o documento do BRB encaminhado por Ney à coluna:

Material cedido ao Metrópoles

SOBRE OS AUTORES
Lilian Tahan

Dirige desde setembro de 2015 o site de notícias Metrópoles. É formada em comunicação social pela Universidade de Brasília (UnB), com especialização em jornalismo digital e gestão de empresa de comunicação pela ISE Business School, instituição vinculada à Universidade de Navarra, na Espanha. Antes do Metrópoles, trabalhou por 12 anos no Correio Braziliense e dois anos na revista Veja Brasília. Ao longo da carreira, conquistou prestigiados prêmios de jornalismo, como Esso, Embratel, CNT, CNI, AMB, MPT, Engenho.

Isadora Teixeira

Formada pelo Centro Universitário Iesb, atua como repórter do Metrópoles desde 2017. Na editoria de Cidades, cobre assuntos políticos relacionados ao Distrito Federal

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