Volta à Lua: saiba por que a Artemis II é uma missão-chave para a Nasa

O lançamento da missão Artemis II está previsto para 6 de fevereiro e marcará o retorno dos humanos à Lua após mais de 50 anos

atualizado

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Imagem colorida mostra astronautas que irão participar da Artemis II e a nave que os levará - Metrópoles
1 de 1 Imagem colorida mostra astronautas que irão participar da Artemis II e a nave que os levará - Metrópoles - Foto: Divulgação/Nasa

A volta dos humanos à Lua nunca esteve tão próxima quanto em 2026. Em 6 de fevereiro, está previsto o lançamento da espaçonave Orion, da Nasa, responsável por transportar os astronautas da Artemis II. A missão será a segunda do programa Artemis e tem o objetivo de realizar o primeiro voo tripulado ao redor do satélite natural da Terra em mais de 50 anos – o último foi em 1972, na missão Apollo 17.

Além do caráter histórico, há propósitos muito maiores por trás da missão. Ida e retorno bem sucedidos da cápsula Orion serão um avanço significativo para que os humanos não só voem ao redor da Lua, mas também pousem diretamente nela – o objetivo da missão Artemis III. 

“Quando se pergunta por que a Nasa considera a Artemis II uma missão-chave, é justamente por isso: ela é um passo fundamental para compreender como toda essa tecnologia vai funcionar de forma integrada, sustentando uma missão tripulada. Trata-se de um estágio essencial no processo de retorno humano à Lua”, explica o pesquisador Thiago Signorini Gonçalves, diretor do Observatório do Valongo da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ).

A missão será fundamental para testar se os sistemas da nave e de lançamento têm capacidade e segurança para realizar uma missão tripulada com sucesso. Um dos principais objetivos dos especialistas é diminuir o risco de acidentes graves durante o trajeto ao espaço. 

“As restrições de segurança têm aumentado desde o desastre da Challenger. Como os veículos são novos e têm muito mais capacidade para transportar material, precisam ser testados aos poucos. A Artemis I foi lançada com manequins para iniciar o estudo e entrar em órbita da Lua, por exemplo”, aponta o professor Kepler de Souza Oliveira Filho, da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS).

A explosão do ônibus espacial Challenger, da Nasa, aconteceu em 1986 e foi provocada por uma falha nos anéis de borracha do veículo. O acidente ocorreu apenas 73 segundos após o lançamento e matou todos os sete tripulantes a bordo.

Sucesso da Artemis II aproximará volta de humanos à Lua

Caso dê tudo certo, o retorno humano ao satélite natural estará mais perto do que nunca. Signorini explica que a Artemis II será um voo bem menos complicado do que pousar na Lua, um processo com etapas mais complexas.

Por exemplo, uma missão de sobrevoo utiliza apenas a infraestrutura já existente na Terra. Já pisar na Lua é um processo que acontece sem todo o apoio operacional e de base do nosso planeta, dificultando bastante o pouso. Ainda assim, vários procedimentos usados na Artemis II serão repetidos na missão seguinte. 

“A missão pode ser vista como um ‘ensaio geral’. Não necessariamente um ensaio específico para o pouso lunar em si, mas para todos os sistemas e a tecnologia que está sendo desenvolvida para apoiar uma missão tripulada nessa nova corrida espacial”, diz o pesquisador apoiado pelo Instituto Serrapilheira.

Missão científica ou missão política?

Apesar de ser tratada como uma missão científica, ela tem traços bem mais políticos. Em meio à corrida espacial entre Estados Unidos e China, os norte-americanos dão mais um passo para dominar a Lua de forma pioneira e quem sabe até construir uma base lunar.

Os chineses também acirram ainda mais a “luta” e vem realizando uma série de missões lunares. A previsão é que em agosto de 2026 tenha início a Chang’e-7, responsável por buscar água e outros recursos no polo sul lunar.

nasa astronautas artemis II
Reid Wiseman, Victor Glover, Christina Hammock Koch e Jeremy Hansen, são os astronautas que irão tripular a missão Artemis II

Outros personagens também aparecem nessa disputa: as empresas de tecnologia espacial privadas, como a SpaceX e a Blue Origin, dos bilionários Elon Musk e Jeff Bezos, respectivamente. Apesar de ambas defenderem mais os interesses norte-americanos, há uma batalha pelo domínio da Terra com as agências governamentais, como a Nasa.

“O interesse é muito mais econômico, tecnológico e estratégico. Existe também um componente militar forte por trás. No fim das contas, essa corrida envolve mais o domínio de tecnologias do que propriamente a produção de conhecimento científico novo”, afirma Signorini.

Se o domínio lunar der certo, a expectativa é que elas possam ajudar ao menos os astrônomos a estudar melhor os fenômenos da área. Atualmente, os telescópios da Terra não conseguem mais fazer fotos tão limpas do céu devido à grande quantidade de microsatélites em órbita no nosso planeta.

“O estudo da astronomia dependerá da instalação de telescópios na Lua e no espaço”, finaliza Oliveira, que também é membro da Academia Brasileira de Ciências (ABC).

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