CNT: com 67 mil acidentes, Brasil perdeu R$ 10,2 bilhões em 2019

Quando o recorte é baseado na última década, os valores são ainda mais impressionantes: R$ 156,06 bilhões perdidos

atualizado 09/03/2020 21:19

Motociclista se desequilibra e cai em estradaAndre Borges/Esp. Metrópoles

O boletim da Economia em Foco elaborado pela Confederação Nacional de Transporte (CNT) mostra que os 67.427 acidentes ocorridos em rodovias no ano passado custaram ao Brasil R$ 10,28 bilhões em perdas de vidas, produção e bens.

Quando o recorte é baseado na última década, os valores são ainda mais impressionantes: R$ 156,06 bilhões perdidos entre 2009 e 2019. Na avaliação da CNT, a redução desses números passa, necessariamente, pelo aumento no investimento em infraestrutura viária, sobretudo na parte da sinalização.

Problemas como mato cobrindo placas ou informações apagadas, segundo o estudo, podem duplicar as chances de acidentes.

O levantamento da CNT traz uma comparação que convida à reflexão: o montante gerado com perdas nos últimos 10 anos (R$ 156,06 bilhões) se aproxima dos investimentos públicos destinados à infraestrutura e manutenção das atividades da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que foi de R$ 172,06 bilhões no mesmo período analisado.

A coordenadora de Economia da CNT, Priscila Santiago, explica que o cálculo leva em conta alguns fatores: “Por exemplo, a pessoa que fica incapacitada e deixa de produzir; as cargas perdidas e, principalmente, as vidas que se vão. Normalmente se fala muito em imprudência dos condutores para explicar acidentes, mas temos de fazer a ponderação de que o Estado tem obrigação de prover estradas seguras”, analisa.

Aumento de multas

O boletim divulgado pela Confederação também aponta incremento expressivo na quantidade de multas aplicadas pela PRF. Entre 2009 e 2019, o índice de penalidades cresceu 93,1%, o que pode explicar, em parte, a diminuição de acidentes com vítimas no mesmo período: 8,4%.

Outro fator que contribuiu para a queda das sinistralidades foi a elevação do valor das multas. “Assim, percebe-se que a aplicação de um instrumento econômico de inibição da conduta indesejada pode ter induzido benefícios diretos para a segurança viária, ainda que os demais fatores não tenham apresentado evolução, notadamente a qualidade da infraestrutura e as ações de fiscalização e educação de trânsito”, diz o boletim da CNT.

Na avaliação de Priscila Santiago, a melhora dos indicadores só voltará a ocorrer quando o governo mirar em um tripé de medidas: “Valorização da PRF, grandes campanhas educativas e aumento de recursos para infraestrutura, sobretudo na sinalização, que é, perto de outros, um investimento baixo e que gera um enorme impacto na preservação de vidas”, destaca.

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