“Que ele mantenha tudo o que vazou”, diz Aziz sobre relatório de Renan

Incomodado, presidente da CPI da Covid-19 disse que, apesar de discordar da forma como o colega agiu, votará a favor do relatório

atualizado 18/10/2021 19:01

Omar Aziz_CPI da CovidRafaela Felicciano/Metrópoles

Visivelmente irritado com o vazamento do relatório final da CPI da Covid-19, o presidente da comissão, Omar Aziz (PSD-AM), afirmou, nesta segunda-feira (18/10), que o relator Renan Calheiros (MDB-AL) não tem o direito de fazer qualquer alteração no documento após tê-lo vazado.

No entanto, apesar de discordar da forma como o colega lidou com a situação, Aziz disse que votará a favor do relatório.

O vazamento do relatório incomodou membros do G7, grupo majoritário que comanda os trabalhos no colegiado, entre eles o presidente, que não gostou de saber do conteúdo pela imprensa. O grupo havia combinado que se reuniria nesta segunda para debater detalhes do documento, mas o encontro foi cancelado.

“Eu sugiro ao presidente Renan [Calheiros] que tudo aquilo que já vazou ele não tire uma linha, zero. Ele não tem o direito de fazer isso agora nem nós de pedirmos. O que queríamos era dar nossa contribuição para saber se tudo o que investigamos está dentro do relatório. Não é retirar. Se ele está tipificando, deve ter o argumento lá. Não quero que ele tire nada, nenhuma linha”, declarou Aziz a jornalistas.

“Você não pode jogar tinta nas pessoas e depois tirar. Antes de vazar, poderia mudar de ideia. Agora ele não tem mais direito de mudar”, acrescentou.

Pressão do relator

O presidente do colegiado interpretou o vazamento como forma de pressão para impor o relatório. Após a audiência pública com vítimas da Covid-19, Aziz se reuniu rapidamente com o vice-presidente da CPI, Randolfe Rodrigues (Rede-AP), e com o senador Humberto Costa (PT-PE). Calheiros não participou.

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Aziz destacou que o seu receio é jogar fora o trabalho por falta de embasamento técnico correto no relatório.

“Sabe qual é o meu receio? Você tipificar uma coisa e isso cair por falta de conteúdo e colocar tudo a perder. Esse é meu medo. É quando você faz uma denúncia frágil, sem embasamento técnico e isso cair. Isso me preocupa. Não adianta te acusar de 10 coisas, preciso te acusar de uma coisa bem feita e você será condenado do mesmo jeito”, disse.

O relatório final será apresentado e lido em plenário na próxima quarta-feira (20/10). A votação será realizada no dia 26 de outubro.

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