Falas de Bolsonaro fragilizam “instituições”, diz Marco Aurélio Mello

Presidente pediu a ampliação da CPI da Covid, ofendeu senador Randolfe Rodrigues e estimulou impeachment de ministro do Supremo

atualizado 12/04/2021 18:08

Marco Aurélio de Melo.

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Marco Aurélio Mello (foto em destaque) avalia que a conversa divulgada pelo senador Jorge Kajuru (Cidadania-GO) com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) de trata de uma “cortina de fumaça”.

Na conversa, Bolsonaro pressiona o senador goiano a ingressar com pedidos de impeachment contra ministros da Suprema Corte, enquanto discutem sobre a abertura da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) da Covid-19.

“Atribuo a um arroubo de retórica, a uma crítica pela crítica e a uma tentativa de desviar o foco. Isso não é bom porque acaba fragilizando as instituições pátrias”, assinalou Marco Aurélio, nesta segunda-feira (12/4), em conversa com o Metrópoles.

Além disso, o magistrado afirmou que não se sente ameaçado com a fala do presidente Jair Bolsonaro. “Não me alcança, pois ocupo uma cadeira vitalícia – e ele não ocupa”, prosseguiu.

No diálogo, cujos primeiros trechos foram publicados redes sociais de Kajuru na tarde de domingo (11/4), o chefe do Executivo federal defende que o parlamentar peça a ampliação da CPI para que os governadores e prefeitos também sejam investigados e estimula esforços pelo impeachment de ministros do STF.

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“Kajuru, olha só. O que que tem que fazer para ter uma CPI que realmente seja útil para o Brasil: mudar a amplitude dela, bota governadores e prefeitos. Presidente da República, governadores e prefeitos”, disse Bolsonaro.

“Vamos lá, Kajuru, coisa importante aqui: a gente tem que fazer do limão uma limonada. Por enquanto, o limão é o que está aí, e está para sair uma limonada. Acho que você já fez alguma coisa. Tem que peticionar o supremo para botar em pauta o impeachment também”, prosseguiu o mandatário da República.

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