Ex-assessor de Lula diz que pagava em dinheiro por obra em sítio

Rogério Aurélio Pimentel confirmou versão de delatores da Odebrecht sobre pagamentos entregue em envelopes a fornecedores de Atibaia (SP)

atualizado 12/11/2018 21:29

Rafaela Felicciano/Metrópoles

O ex-assessor especial da Presidência da República Rogério Aurélio Pimentel, que ocupou o cargo entre 2003 e 2011, nos governos do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, admitiu nesta segunda-feira (12/11), em depoimento no processo que investiga obras no sítio Santa Bárbara, em Atibaia (SP), que entregava envelopes com dinheiro a empresas que forneciam material às reformas. As informações são da revista Veja.

Segundo o Ministério Público Federal (MPF), as empreiteiras Odebrecht, OAS e Schahin, esta por meio do pecuarista José Carlos Bumlai, amigo de Lula, pagaram R$ 1 milhão em propina ao petista por meio das obras no sítio, propriedade do empresário Fernando Bittar e frequentado pelo ex-presidente e sua família.

Réu neste processo pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro, Lula será ouvido na ação nesta quarta-feira (14). Ele está preso em Curitiba há pouco mais de sete meses.

Pimentel disse à juíza federal Gabriela Hardt que foi incumbido pela ex-primeira-dama Marisa Letícia Lula da Silva a acompanhar as obras na propriedade no interior paulista no fim de 2010, reta final dos mandatos do ex-presidente.

Em uma das primeiras vezes em que foi ao sítio de Atibaia, ele relatou que os trabalhos eram conduzidos por uma equipe contratada por Bumlai.

Após o próprio Rogério Aurélio Pimentel contar a dona Marisa que as obras “não andavam”, a ex-primeira dama informou a ele que “Alexandrino” o procuraria e o colocaria em contato com um engenheiro.

O homem a que a mulher de Lula se referia era Alexandrino Alencar, ex-executivo da Odebrecht, e o engenheiro que procurou Pimentel foi Frederico Barbosa, também da empreiteira.

Inicialmente, segundo o ex-assessor de Lula, ele não sabia que Alencar e Barbosa trabalhavam para a Odebrecht. Ele relatou que foi ele o responsável por levar o engenheiro ao sítio pela primeira vez e repassar à ex-primeira-dama as obras que seriam feitas na propriedade.

Sem autonomia
Questionado pela magistrada se nunca se perguntou porque uma grande empreiteira tocaria as reformas e construções de benfeitorias no sítio, Pimentel disse que não.

“Eu não tenho autonomia, como qualquer outro empregado, de chegar para o patrão e dizer onde você arrumou o dinheiro? Como é que tá sendo feito isso?. Uma porque dona Marisa sempre foi durona, exigente e reservada em relação a esse tipo de coisa. Eu era de confiança, assim, pra buscar um pão na padaria, pra comprar uma carne, pra levar a cachorra no veterinário, pegar o filho dela na escola ou o próprio neto, isso era a confiança, mas a parte pessoal, financeira dela, não sabia”, relatou.

Ele confirmou os relatos do ex-diretor da Odebrecht em São Paulo, Carlos Armando Paschoal, e do também engenheiro Emyr Diniz Costa Júnior, ambos delatores, de que recebia envelopes com dinheiro e pagava fornecedores das obras. “Se a senhora me perguntar se tinha 5 mil reais, 10 mil, 20 mil, 200 mil, eu não saberia dizer para a senhora”, disse o ex-assessor de Lula.

Segundo Diniz, o dinheiro era oriundo do Setor de Operações Estruturadas da empreiteira, o setor de propinas, e repassado a Frederico Barbosa dentro de envelopes, que eram entregues a Rogério Aurélio Pimentel. O ex-assessor de Lula também relatou que recebeu orientações dos funcionários da Odebrecht a não falar sobre a obra da empreiteira na propriedade.

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