Presidente do PSB pede que senador Jorge Kajuru se desfilie do partido

Apoiador do decreto de armas de Bolsonaro, o político criou desconforto com a sigla. Carlos Siqueira reagiu: "Seguir mandato sem vínculo"

Edilson Rodrigues/Agência SenadoEdilson Rodrigues/Agência Senado

atualizado 27/06/2019 13:07

O presidente nacional do PSB, Carlos Siqueira, sugeriu ao senador Jorge Kajuru (GO) que se desfilie do partido em função do apoio declarado ao decreto que flexibiliza o porte e a posse de armas de fogo no país, proposto pelo chefe do Executivo federal, Jair Bolsonaro (PSL).

Contrário à proposta do governo, PSB ingressou no Supremo Tribunal Federal (STF) em abril com Ação Direta de Inconstitucionalidade para suspender os efeitos do documento presidencial.

Kajuru disse nas últimas semanas que Siqueira teria lhe dado “independência”, fato desmentido pelo cacique socialista. “Jamais mantivemos conversa dessa natureza, razão pela qual fiquei extremamente surpreso com a afirmação em questão”, justificou em carta.

Siqueira subiu o tom contra o senador. “A prática da fidelidade a seus princípios programáticos é uma tradição, faz parte de nossa cultura, razão pela qual tem havido zelo extremo com a observância de nosso ideário ao longo de nossa história”, disparou.

O presidente da sigla descartou qualquer tipo de apoio ao projeto de Bolsonaro. “O PSB carrega entre seus símbolos a pomba da paz, de Pablo Picasso, porque é uma instituição pacifista desde seu nascedouro, e que, consequentemente, descrê por completo que armar a população civil possa produzir qualquer tipo de solução, mesmo para os fins de segurança”, garantiu.

Por fim, Siqueira pede a Kajuru para deixar o partido. “Seria mais adequado dar prosseguimento ao mandato sem manter vínculo de filiação com o PSB ou, eventualmente, se filiando à instituição partidária que possa lhe propiciar total liberdade, para se comprometer com as agendas políticas que lhe pareçam as mais adequadas a suas perspectivas”, sugeriu na carta.

Siqueira termina o texto ressaltando que os parlamentares do PSB “sempre tiveram ampla liberdade para exercer seus mandatos”. E conclui: “Mas a autonomia com que o fazem sempre observou nosso ideário, que indica a fronteira do razoável, para um partido que nunca aceitou e não aceita ser uma associação de indivíduos, que não compartilham uma visão de mundo em comum”.

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