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O ministro da Fazenda, Henrique Meirelles (PSD), na noite de sexta-feira (5/1), disse em discurso de pouco mais de seis minutos para fiéis da igreja evangélica Sara Nossa Terra, em Brasília, que “fez algumas coisas básicas” para colocar a economia “em ordem”. Ao subir no palco, montado em um pavilhão, ele foi apresentado por Flávio Rocha, presidente do grupo Riachuelo e do Instituto para Desenvolvimento do Varejo (IDV), como o responsável pelo “maravilhoso milagre da economia brasileira”. Meirelles almeja ser candidato ao Palácio do Planalto.

Sem citar o presidente Michel Temer, Henrique afirmou que graças ao seu trabalho à frente da Fazenda “saímos da maior crise da história do Brasil”, vivida entre 2015 e 2016, no governo da presidente cassada Dilma Rousseff. “O que fizemos foi começar a controlar as despesas, fixando, inclusive, regra de aumento de despesas, privilegiando aquilo que interessa, que é a população brasileira, que são vocês, que são os jovens. E fazendo reformas fundamentais, visando à modernização da economia brasileira”, discursou.

Apesar da exposição, Meirelles, que em dezembro ocupou praticamente todo o programa político do PSD no rádio e na TV, reafirmou que decidirá se será candidato à presidência da República até o início de abril, quando ministros que vão disputar as eleições precisam deixar os cargos. O evento de sexta-feira (5/1) foi o terceiro evento no meio evangélico que contou com a participação do ministro. Em junho, esteve na comemoração dos 106 anos da Assembleia de Deus em Belém. No mês seguinte, foi a Juiz de Fora, cidade do estado mineiro, para novo encontro com membros da mesma denominação.

Em setembro, gravou um vídeo em que pedia orações pela economia. Na sexta-feira (5/1), após discursar, o ministro da Fazenda participou de uma oração e recebeu palavras de bênçãos dos fiéis para o futuro do País. “A energia que senti quando entrei aqui é exatamente isso que o Brasil precisa agora, para que possamos levar o País na direção certa”, afirmou.

Reformas
No palco, Meirelles ressaltou a reforma da Previdência, chamada por ele de “nova Previdência”, e foi aplaudido por alguns dos presentes. “O que estamos fazendo é um esforço enorme para que cada vez mais a inflação continue baixa e que o governo passe a ter recursos suficientes para recuperação forte da economia, no crescimento do País, arrecadar mais e investir em educação, saúde e segurança”, disse.

Um dos principais articuladores das mudanças previdenciárias, Meirelles tem se aproximado do presidente da Câmara, Rodrigo Maia (DEM-RJ), a fim de discutir a votação da reforma, adiada para fevereiro por falta de votos. O ministro também tem mantido diálogo frequente sobre a construção de um projeto eleitoral com o DEM, o MDB e partidos do Centrão, como PRB, PP e PR. Com apenas 2% das intenções de voto, de acordo com pesquisas recentes, tenta se firmar como o candidato único da base em oposição ao governador Geraldo Alckmin, pré-candidato do PSDB.

À imprensa, o ministro afirmou que seu discurso foi direcionado ao público jovem. “É importante que essa mensagem seja levada principalmente à população que acredita no trabalho e na ética. Porque não podemos falar apenas para empresários, banqueiros ou investidores internacionais. Temos que levar essa mensagem ao povo.”

Para Rocha, o ministro tem “muito a ver” com a volta da lucidez e da responsabilidade fiscal. Já o bispo Robson Rodovalho, líder da igreja e presidente da Confederação dos Conselhos de Pastores do Brasil (Concepab), disse que Meirelles tem legado e credibilidade.