PCC usou “laranjas profissionais” para movimentar R$ 30 bi do crime

Segundo a PF, os criminosos utilizavam uma sofisticada técnica de lavagem de dinheiro, que incluía donos de postos de combustíveis

atualizado 01/10/2020 11:38

PF desarticula braço financeiro do PCC que movimentou R$ 30 bilhõesPolícia Federal do Brasil

Uma das maiores facções criminosas da América do Sul, o Primeiro Comando da Capital (PCC) foi alvo de operação da Polícia Federal. Desta vez, os investigadores miraram no coração e na fonte de poder do crime: o dinheiro. Na manhã desta quarta-feira (30/9), a PF desmantelou um braço financeiro da facção. O grupo é responsável por movimentar ao menos R$ 30 bilhões. Segundo os investigadores, os criminosos utilizavam uma sofisticada técnica de lavagem de dinheiro e contavam, inclusive, com “laranjas profissionais”.

Ao todo, 13 suspeitos foram presos. Em coletiva na manhã desta quarta (30/9), o delegado Rodrigo Costa, coordenador da Operação Rei do Crime, detalhou a atuação do bando.

“A lavagem de dinheiro tinha um certo nível de sofisticação. No começo, eles usavam familiares como laranja. Depois, passaram a usar laranjas profissionais. Agora, também contam com holding de empresas. Essas holdings tinham muitas ‘camadas de proteção’ visando distanciar o efetivo proprietário do bem. Sem o avanço das investigações nas camadas de proteção, não teríamos chegado aos autores”, disse.

O delegado acrescentou que os investigados não tinham capacidade financeira para movimentar bilhões de reais. “O dinheiro tem um caminho. Na investigação, constatamos que os valores sempre passavam por membros da facção. Foi um grande mapeamento de transações financeiras. As empresas, sobretudo os postos de combustíveis, tinham estrutura sólida no mercado. Não faziam uma lavagem de dinheiro pontual. Já fazia parte da estrutura organizada”, destacou Costa.

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De acordo com os investigadores, os alvos da Operação Rei do Crime tinham contato direto com integrantes da chamada “Sintonia Final” do PCC, entre eles Marcos Willians Herbas Camacho, o Marcola, preso na Penitenciaria Federal de Brasília. As apurações tiveram início após um assassinato cometido por membros da facção. Os criminosos usaram um helicóptero. A aeronave foi o fio que conduziu os policiais federais até os pilares que sustentam a organização.

“Hoje, apreendemos helicópteros, carros importados. Em menos de dois meses, a PF sequestrou quase R$ 450 milhões em patrimônios. Se a mera apreensão de drogas é o caminho, por que essa facção tem tanto dinheiro? Dinheiro é poder, tirando o dinheiro você tira o poder. Estamos falando de uma ação inédita a nível nacional. São 73 empresas identificadas, estabelecimentos que trabalham para o crime”, destacou o chefe da Coordenação-geral de Repressão a Drogas, Armas e Facções Criminosas da PF, delegado Elvis Secco.

Cerca de 200 policiais federais cumpriram nesta quarta 13 mandados de prisão preventiva, 43 de busca e apreensão, além do sequestro de bens de 32 automóveis, nove motocicletas, dois helicópteros, um iate, três motos aquáticas, 58 caminhões e 42 reboque e semirreboque, que totalizam R$ 32 milhões.

Os mandados, expedidos pela 6ª Vara Criminal Federal de São Paulo foram cumpridos em apartamentos de luxo e empresas na capital paulista, em Bauru (SP),  Igaratá (SP), Mongaguá (SP), Guarujá (SP), Tremembé (SP), Londrina (PR), Curitiba (PR) e Balneário Camboriú (SC).

Mais imagens da operação:

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Entre os alvos, estão empresários do setor de combustíveis e uma pessoa que foi condenada pelo envolvimento no furto ao Banco Central do Brasil, ocorrido em Fortaleza (CE) em 2005. São ao todo 20 indiciados. Eles responderão pelos crimes de organização criminosa e lavagem de dinheiro.

 

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Lavagem de dinheiro
Durante a investigação, a Polícia Federal rastreou movimentações financeiras e identificou a existência de uma rede de combustíveis, inclusive uma distribuidora, que atuava em benefício da facção criminosa, lavando ativos de origem ilícita, por meio de empresas com atuação sólida no mercado e de fachada.

O Coaf também forneceu relatórios de inteligência financeira à Polícia Federal apontando movimentações atípicas do grupo investigado, cujo valor ultrapassa a cifra de R$ 30 bilhões.

Além das prisões e mandados de busca, a Justiça autorizou o bloqueio de bens de pessoas físicas e jurídicas.  A Polícia Federal pediu, em juízo, a interdição da atividade econômica financeira de 73 empresas, entre elas, postos de combustíveis, lojas de conveniência e escritórios de assessoria e contabilidade, utilizadas pela facção criminosa para movimentação de valores ilícitos, as quais passarão a ser administradas pela Secretaria Nacional de Políticas Sobre Drogas do Ministério da Justiça e Segurança Pública.

A operação foi batizada de Rei do Crime em alusão a empresários que fomentam e financiam organizações criminosas sem praticar as ações violentas por elas perpetradas.

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