O que se sabe sobre o caso da família mantida em cárcere por 17 anos

Mulher e seus dois filhos foram resgatados pela PM nesta quinta (28/7), em Guaratiba. Luiz Antônio Santos Silva foi preso em flagrante

atualizado 29/07/2022 17:13

PM resgata mãe e dois filhos em cárcere privado há 17 anos no Rio 1 Reprodução/ PMERJ

Rio de Janeiro – Subnutridos, amarrados em móveis e em cárcere privado há 17 anos. Foi assim que os policiais militares do 27º BPM (Santa Cruz) encontraram uma mulher com seus dois filhos em uma casa em Guaratiba, zona oeste do Rio. O suspeito de cometer o crime é Luiz Antônio Santos Silva, pai dos jovens.

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Como as vítimas foram encontradas?

O capitão Willian Oliveira, que fez o resgate da família, concedeu entrevista ao Metrópoles. O militar disse que as vítimas relataram agressões e estavam subnutridas. Os agentes acharam que se tratava de uma mulher com duas crianças, mas os filhos da mulher têm 19 e 22 anos.

“Eu pensei que fossem duas crianças. O menino estava no colo da mulher, e a menina, amarrada em um móvel. Ambos estavam muito agitados, aparentavam ter alguma deficiência”, disse o capitão. O oficial também à reportagem que os jovens tinham estatura de criança.

A mulher aparentava ter 40 anos, e disse que era agredida e impedida de dar comida aos filhos. Eles chegavam a passar fome por três dias e, durante o resgate, a menina chegou a comer uma banana com casca.

“Nós vimos que eles precisavam de atendimento médico urgente e os encaminhamos para o Rocha Faria. A mulher relatou que não podia trabalhar, sair de casa, ou ver a luz do dia”, detalhou o capitão.

O que o agressor disse ao ser preso?

Os agentes chegaram em uma casa fechada na Rua Leonel Rocha, em Guaratiba, por meio de uma denúncia anônima. No local, os agentes se depararam com uma casa suja, insalubre, e as vítimas amarradas.

O acusado de cometer o crime é Luiz Antônio Santos Silva, pai dos jovens. Ele foi preso em flagrante e autuado pelos crimes de tortura, cárcere privado e maus-tratos.

No momento da prisão, Luiz Antônio estava na cena do crime e negou o cárcere privado:

“Ele parecia uma pessoa bastante exaltada, agressiva até na forma de se colocar, e disse que aquilo ali era uma injustiça”, relatou o capitão Willian Oliveira.

Por que o agressor tinha o apelido de DJ?

Segundo os vizinhos, Luiz tinha o apelido de DJ porque tinha o costume de colocar músicas altas, provavelmente para abafar os pedidos de socorro. O homem dizia que trabalhava com lanternagem, mas nenhum equipamento relacionado a esse ofício foi identificado na residência.

Como as vítimas estão?

As vítimas estão internadas no Hospital Municipal Rocha Faria. Segundo a PM, as três já aparentam ser outras pessoas após receber alimentação e higiene adequadas.

Em nota, a Secretaria Municipal de Saúde informou que os três pacientes apresentam quadro de desidratação e desnutrição grave, porém já foram estabilizados e estão recebendo todos os cuidados clínicos necessários, além do acompanhamento dos serviços social e de saúde mental.

O que os vizinhos disseram?

Vizinhos disseram que chegaram a pedir ajuda ao poder público, mas, como não obtiveram êxito, passaram a alimentar a mãe e seus dois filhos. Uma delas disse que, no momento do resgate da família pela polícia, a esposa do homem não conseguia sequer falar.

O caso está sendo investigado pela Delegacia de Atendimento à Mulher (Deam) de Campo Grande.

 

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