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A Associação Brasileira dos Caminhoneiros (Abcam) informou na manhã desta quinta-feira (24/5) que o movimento de paralisação da categoria só terminará quando a redução de impostos dos combustíveis for publicada no Diário Oficial da União (DOU). Em nota, movimento disse “não acreditar mais nas promessas do governo” e que, por isso, a paralisação só terminará quando a decisão “virar lei”.

Nas estradas que cortam o DF, os caminhoneiros estavam em sintonia com o líder da entidade sindical. Em frente ao posto Asa Branca, no Km 14 da BR-060, um grupo fechou parte da rodovia com cones e liberava somente para a passagem carros de passeio.

“Vamos manter os pontos de bloqueio até que o combustível zere nas bombas dos postos. Só vamos sair e liberar as vias quando houver uma redução real no preço do diesel”, ameaçou o caminhoneiro Flávio lopes, 40 anos e 20 de profissão.

O presidente da Abcam, José da Fonseca Lopes, garantiu que as manifestações poderiam ser suspensas na tarde desta quinta (24), desde que o projeto que prevê zerar a PIS-Cofins sobre o óleo diesel fosse aprovado pelo Senado. Líderes do movimento terão encontro com a cúpula do governo federal às 14h, no Palácio do Planalto.


Só passa carro de passeio
Durante o ato, os principais alvos eram carretas e veículos transportadores de combustível que vinham de todos os cantos do Brasil. De acordo com o caminhoneiro José Leonardo Carvalho, 39 anos, o movimento é pacífico e não existe uma liderança específica. “Sou de Barra do Garças, em Mato Grosso e estou há 20 dias fora de casa e sem data para voltar até que nossas reivindicações sejam atendidas pelo governo”, disse.

Segundo o trabalhador, se as propostas da categoria não forem aceitas pelo governo, a tendência é de um cenário catastrófico no país. “Queremos uma redução real no preço do combustível. Do contrário, todos os serviços que dependem dos caminhoneiros irão entrar em colapso”, sentenciou.

Impactos
Na noite dessa quarta-feira (23), a Petrobras anunciou redução do preço do diesel em 10% e a manutenção desses preços por 15 dias. A Petrobras avalia que, a partir da medida, a diminuição média será de R$ 0,23 por litro nas refinarias, resultando numa queda média de R$ 0,25 por litro nas bombas dos postos de combustível. A baixa do preço deve ser maior para o consumidor, pois o imposto incidente será menor.

O custo do combustível nas refinarias será de R$ 2,1016, valor fixado para os próximos 15 dias. Ao fim do período, a tarifa será corrigida de forma progressiva até voltar a operar de acordo com a política de preços adotada pela estatal.

Desabastecimento
A paralisação nacional chega ao quarto dia nesta quinta-feira (24) e compromete serviços como os de aviação, correios, venda de combustíveis automotivos, além dos comércios atacadista e varejista. No Distrito Federal, distribuidoras já estão desabastecidas de Gás Liquefeito de Petróleo (GLP), utilizado na cozinha.

A Inframerica, administradora do Aeroporto Internacional de Brasília Juscelino Kubitschek, informa que a reserva de Querosene de Aviação (QAV), combustível das aeronaves, não é suficiente para encerrar a semana. Ainda conforme pontuou a concessionária, a frota de caminhões responsável por trazer o QAV para o terminal está retida no Entorno do DF.

Redução em meio à crise
Em meio às manifestações, a Petrobras anunciou na última segunda-feira (21) reajuste na gasolina e no diesel de 0,9% e 0,97%, respectivamente. Esse foi o 11º aumento nos últimos 17 dias para a gasolina e o sétimo consecutivo do diesel.

Desde que começou a adotar a política de reajustes diários dos preços dos derivados de petróleo, em 3 de julho de 2017, a estatal elevou o valor do diesel em suas refinarias 121 vezes (38 em 2018). O que indica alta de 56,5%, segundo o Centro Brasileiro de Infraestrutura (CBIE). Em pouco mais de 10 meses, o litro do produto passou de R$ 1,5006 para R$ 2,3488.

 

 

(Com informações da Agência Estado)