João de Deus depõe no MPGO nesta 4ª. Polícia vai ouvir mulher dele

Ana Keyla Teixeira é mãe da filha caçula do líder espiritual

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atualizado 26/12/2018 11:53

O médium João de Deus, 77 anos, está sendo ouvido nesta quarta-feira (26/12) pelo Ministério Público de Goiás (MPGO). Ele chegou por volta das 10h. A mulher dele, Ana Keyla Teixeira, 40, também deve depor hoje. Porém, ela vai prestar esclarecimentos à Delegacia Estadual de Investigações Criminais (Deic).

Integrantes da força-tarefa que investiga os relatos de abuso sexual praticados pelo líder espiritual não pararam de trabalhar durante o Natal. A expectativa é de que a primeira denúncia contra o fundador da Casa Dom Inácio de Loyola seja enviada até domingo (30) à Justiça.

Ana Keyla é mãe da filha caçula de João de Deus, que tem três anos. O Metrópoles conseguiu falar com a mulher no dia 13, logo após as denúncias virem à tona. Na época, ela disse que o marido era inocente: “Montaram um grande circo”. Mãe e filha estavam em Abadiânia (GO), em uma propriedade que a família mantém a poucos quilômetros do centro de atendimento espiritual.

Os policiais também devem ouvir João de Deus novamente. O depoimento ainda não tem data marcada. Eles querem saber a origem de R$ 1,6 milhão encontrado escondido em endereços ligados ao médium, bem como das cinco armas sem registro apreendidas. Ao todo, ele pode responder por quatro crimes: estupro, estupro de vulnerável, violação sexual mediante fraude e posse ilegal de arma.

Na última semana, o juiz Liciomar Fernandes da Silva, da Comarca de Abadiânia (GO), acatou pedido de prisão preventiva contra o médium por posse ilegal de arma. O líder espiritual já estava preso preventivamente desde o último dia 16, devido a denúncias de abuso sexual.

O magistrado também autorizou nova busca e apreensão em endereços de João de Deus e alegou suspeitar da existência de uma máfia. “Ao que tudo indica, o médium chefia uma organização criminosa”, pontuou.

Um dia depois, após cumprimento do mandado, os policiais civis de Goiás encontraram uma mala recheada com R$ 1,2 milhão em uma das casas do acusado em Abadiânia. Também foram recolhidos 770 euros e US$ 908 em um imóvel do médium em Anápolis, bem como um revólver calibre .38, uma algema e centenas de pedras das mais variadas tonalidades.

Em apreensões anteriores, R$ 405 mil e cinco armas sem registro já tinham sido apreendidas em endereços de João de Deus.

Abuso sexual
Na última quinta (20), João de Deus foi indiciado por violência sexual mediante fraude. O inquérito foi baseado no depoimento de uma mulher de aproximadamente 40 anos que teria sido abusada pelo líder espiritual em outubro deste ano na Casa Dom Inácio de Loyola.

Segundo o delegado Valdemir Pereira da Silva, mais conhecido como Doutor Branco, titular da Deic, existem provas robustas contra o médium que podem levá-lo a cumprir pena de 2 a 6 anos de prisão.

“Acreditamos na existência de provas suficientes para uma condenação. O depoimento da vítima foi contundente”, disse. De acordo com o investigador, na quarta (19), a mulher foi levada ao centro em Abadiânia e contou, com riqueza de detalhes, o que teria ocorrido na sala de atendimento.

Segundo o relato da vítima, quando a mulher notou o pênis de João de Deus para fora da calça, ele teria interrompido o “tratamento”. Em seguida, o acusado pediu para a paciente não contar sobre o atendimento a ninguém. Na ocasião, o médium presenteou a fiel com dois quadros e uma pedra. “A vítima está assustada, ansiosa e com medo”, explicou.

As denúncias contra João de Deus vieram à tona no último dia 8, no programa Conversa do Bial, da TV Globo. Após ter dois habeas corpus negados, no Tribunal de Justiça de Goiás (TJGO) e no Superior Tribunal de Justiça (STJ), a defesa do médium recorreu o Supremo Tribunal Federal (STF). No início da semana, João de Deus reforçou sua equipe de defesa e contratou o advogado criminalista Antônio Carlos de Almeida Castro, o Kakay, para tentar tirá-lo da cadeia.

Denúncias
Desde que o escândalo sexual contra João de Deus veio à tona, o Ministério Público de Goiás recebeu 596 relatos por e-mail sobre o caso, sendo 255 de potenciais vítimas. Do total, a maior parte – 40 – é de São Paulo. Em segundo lugar, vem o DF, com 39. Há ainda 20 casos no Rio Grande do Sul e 15 em Minas Gerais.

Os promotores divulgaram que 75 mulheres foram ouvidas até agora. A maioria das vítimas tem entre 19 e 67 anos (70 delas). Mas há também, 23 com faixa etária entre 9 e 14 anos, o que pode fazer com que o médium seja denunciado por estupro de vulnerável.

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