Homem vítima de LGBTfobia: “Quero processar o Estado”

Alvo de ataque preconceituoso, secretário parlamentar do Senado fez o boletim de ocorrência contra policial que o empurrou em Recife

atualizado 07/01/2020 17:39

Reprodução/Instagram

O secretário parlamentar do Senado Federal Eliseu Neto, atacado após beijar o namorado, registrou um boletim de ocorrência contra a LGBTfobia que sofreu de um policial militar e de um motorista de aplicativo, em Recife, e denunciou o caso também na corregedoria local da corporação. Ao Metrópoles, ele contou que o principal objetivo dele é processar o Estado e, com isso, criar política pública para o tema.

“Fiz o BO [boletim de ocorrência]. Fiz o trâmite de uma maneira privilegiada, estava amparado. Agora vamos ver o que vem do inquérito, da Corregedoria. Quero processar o Estado e meu objetivo é criar política pública”, afirmou.

Neto explica que fez o boletim de ocorrência enquadrado nos crimes de racismo, de injúria e de agressão — assim como foi decidido pelo Supremo Tribunal Federal (STF), no ano passado.

O secretario, contudo, reconheceu o privilégio de poder denunciar, e ter amparo legal e midiático, uma vez que chegou à delegacia acompanhado de quatro emissoras de televisão e um advogado. Ele conta que foi bem recebido pelos policiais e pelas autoridades, mas não soube informar se eram preparados para atender esse tipo de crime.

Psicólogo e psicanalista, Neto ressalta que é importante denunciar esses casos. Mas entende a diferença entre a criminalização e o “mundo real”. “É fundamental denunciar. Senti na pele a distância entre a criminalização, a lei que garante em Brasília, e o aqui, no mundo real. Por isso, denunciar é muito importante, fundamental.”

Com a denúncia, o secretário descobriu que o motorista praticava LGBTfobia recorrentemente. Pessoas próximas ao condutor o procuraram para dizer que o homem já teria atacado diversos outros clientes e pessoas próximas a ele. “Até o momento, meu foco era o policial. Mas a coisa muda de figura”, justificou. Ele enviou as mensagens que recebeu à polícia e à corregedoria e agora espera a conclusão do inquérito.

Entenda
No Twitter, o funcionário do Senado Federal, que trabalhou no projeto para transformar a LGBTfobia em crime análogo ao racismo, contou que estava dentro de um veículo do 99 Táxi quando o motorista mandou que ele e o namorado descessem, porque não queria que “aquilo” ocorresse dentro do carro.

“Quando eu fui tirar foto da placa do carro para reportar ao aplicativo/empresa, o motorista disse que chamaria a polícia, pois havia uma viatura em frente [ao local]. De forma surreal, o policial chegou já agressivo”, escreveu.

O secretário parlamentar relatou que pediu ao policial que se acalmasse e se identificasse. Segundo ele, “a resposta foi um empurrão”. “Levantei e disse que ele não poderia tratar ninguém daquela forma. Fui empurrado novamente. Foi uma cena surreal”, afirmou.

Em nota, a 99 Táxi afirmou que repudia veemente qualquer tipo de discriminação na plataforma e que uma equipe especializada está em contato com a vítima e seu namorado para oferecer “todo apoio e acolhimento necessários”. A empresa disse ainda que está disponível para colaborar com as investigações da polícia acerca do ocorrido.

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