General Pujol afirma que militares não querem fazer parte da política

Integrante do Exército disse que eventual participação da categoria no governo é decisão exclusiva da administração do Executivo

atualizado 13/11/2020 9:08

Marcelo Camargo/Agência Brasil

O comandante do Exército, general Edson Leal Pujol, afirmou durante uma transmissão ao vivo, na quinta-feira (12/11), que os militares não querem fazer parte da política e nem querem que a política “entre” nos quartéis.

O general fez a declaração poucos dias depois que o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) afirmou que “quando acaba a saliva, tem que ter pólvora”. A fala foi uma resposta ao presidente eleito dos Estados Unidos, Joe Biden, sobre a possibilidade ser alvo de sanções por conta do desmatamento que ocorre na Amazônia.

Biden cogitou a imposição de barreiras comerciais ao Brasil em razão do meio como o governo lida com questões ambientais.

Pujol participou de um evento virtual promovido pelo Instituto para Reforma das Relações Estado e Empresa. Também participaram os ex-ministros Raul Jungmann e Sérgio Etchegoyen – este é general da reserva.

Ele destacou que o Brasil e os militares se posicionam alegando que a “soberania da Amazônia é nossa”. Ele também chamou atenção para a questão da preservação. “O que nós preservamos nesses 500 anos da Amazônia brasileira é incomparavelmente superior ao que aconteceu em outros continentes.”

Confira alguns militares no governo Bolsonaro:

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Envolvimento

Em determinado momento, Jungmann disse que “até bem recentemente, havia quem dissesse que as Forças Armadas estão se envolvendo com a política. E eu disse que isto não era fato. As Forças Armadas, como instituições permanentes de Estado, permaneciam totalmente voltadas para as suas missões profissionais e inteiramente dentro daquilo que determina a nossa Constituição”. Depois, pediu para o comandante falar sobre esse fato.

Pujol respondeu que os militares não querem ter ação política e que os chamados que ocorrem para a ocupação de cargos dentro do governo é opção do Executivo.

“Não queremos fazer parte da política governamental ou política do Congresso Nacional e muito menos queremos que a política entre no nosso quartel, dentro dos nossos quartéis. O fato de, eventualmente, militares serem chamados a assumir cargos no governo, é decisão exclusiva da administração do Executivo”, disse o general.

De acordo com Pujol, o Ministério de Defesa e o Exército Brasileiro se preocuparam “exclusivamente e exaustivamente” com assuntos militares durante os dois anos em que está a frente da instituição.

Participação eventual

Ele ainda contou que o ministro da Defesa é chamado “eventualmente” para participar de decisões do governo, mas fez ressalva: “Não nos metemos em áreas que não nos dizem respeito”.

Desde que Bolsonaro se tornou presidente, muitos militares da ativa e da reserva ou pessoas com formação militar foram convidados para integrar a equipe governamental.

Os ministros Walter Souza Braga Netto (Casa Civil); Luiz Eduardo Ramos (Secretaria de Governo); Augusto Heleno (Gabinete de Segurança Institucional); Fernando Azevedo e Silva (Defesa); Eduardo Pazuello (Saúde); Bento Albuquerque (Minas e Energia); Jorge Oliveira (Secretaria-Geral); e Tarcísio Gomes de Freitas (Infraestrutura) são alguns exemplos de militares que fazem parte do governo Bolsonaro.

Além disso, o vice-presidente, Hamilton Mourão, também é militar.

 

 

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