“Feijão sim, fuzil não”: protesto contra Bolsonaro é feito na Torre de TV

Movimentos sociais participam do Grito dos Excluídos, a apenas 3 km de onde atos a favor do presidente ocorrem, na Esplanada

atualizado 07/09/2021 13:51

Protesto contra Bolsonaro no Grito dos ExcluídosMarcelo Montanini/Metrópoles

Movimentos sociais, centrais sindicais e partidos políticos realizam, nesta terça-feira (7/9) – Dia da Independência do Brasil –, o Grito dos Excluídos. O protesto contra o governo de Jair Bolsonaro ocorre na Torre de TV, no Eixo Monumental, a cerca de 3 quilômetros da Esplanada dos Ministérios, onde bolsonaristas realizam manifestações em apoio ao presidente. Esta é a 27ª edição do ato.

O protesto conta com intervenção artística, sob o lema “Feijão sim, fuzil não!”, em alusão irônica à declaração de Bolsonaro a apoiadores, em defesa da compra da arma, em detrimento da aquisição de alimentos.

Militantes fazem batucada e portam bandeiras “Fora, Bolsonaro” e cartazes críticos à conjuntura econômica e à falta de política sanitária do governo para o enfrentamento da pandemia da Covid-19. A pauta de reivindicação deste ano é extensa: participação popular, saúde, comida, moradia, trabalho e renda.

O movimento também arrecada alimentos para doar à Marcha das Mulheres Indígenas, que ocorrerá na quinta-feira (9/9).

“Hoje, existe uma ameaça forte por parte de Bolsonaro e aliados, e o centro é em Brasília. Aqui é o local com mais conflito e risco de enfrentamento real. Nós deputados temos que nos posicionar contra essa política autoritária do governo Bolsonaro”, afirmou a deputada federal Vivi Reis (PSol-PA).

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Clima de intimidação

Camila De Caso, da coordenação do Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), destacou que o ato ocorre tradicionalmente nesta data. O clima de tensão, entretanto, esvaziou a manifestação deste ano. “Muitas pessoas estão com receio de vir”, disse.

“Estamos a favor da democracia, contra a fome, contra a carestia e a favor da vacina. Hoje é uma forçação da parte deles, de Bolsonaro, que já está em campanha” acrescentou, em crítica direcionada ao protesto realizado na Esplanada.

Outros integrantes da manifestação confirmaram o receio. “No nosso movimento, muitos não se dispuseram a vir pelo clima de tensão na cidade. Mas isso é para marcar posição e para mostrar que não nos intimidamos”, afirmou Hélio Doyle, da coordenação do movimento Geração de 68.

Indígenas

Bruno Xucuru, da Juventude Indígena, disse que, na noite de segunda-feira (6/9), um carro com bolsonaristas circulou em volta do acampamento indígena e gerou tensão por lá. Diante disso, lideranças decidiram não participar do ato desta terça-feira, por questão de segurança. Pelo mesmo motivo, o ato não se encaminhará ao Memorial dos Povos Indígenas.

“Por questões de segurança, decidimos não vir. Pediram para eu não vir também, mas vim por conta própria”, afirmou Xucuru.

Desde a noite de segunda-feira, bolsonaristas tomaram as ruas de Brasília, com buzinaços e bandeiras do Brasil. Caminhoneiros invadiram a Esplanada dos Ministérios.

Em meio ao clima de tensão, a Secretaria de Segurança Pública do Distrito Federal (SSP-DF) e a Polícia Militar do Distrito Federal (PMDF) instalaram diversas barreiras separando as duas manifestações. Para evitar confrontos, os integrantes do movimento contra Bolsonaro decidiram não sair em caminhada, como previsto anteriormente.

Estão reunidos militantes da Central Única dos Trabalhadores (CUT), Central Sindical e Popular (CSP) Conlutas, Movimento dos Sem Terras (MST), Frentes Brasil Popular, Povo Sem Medo e Coalizão Negra por Direitos e partidos, como PT, PCdoB, PSol, PSB, PSTU, PCO e UP.

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