Entenda como Itacaré virou palco de conflito Israel x Palestina

Ato pró-Palestina ocorrido no sábado (14/3) na cidade de Itacaré (BA) gerou tensão no município turístico

atualizado

metropoles.com

Compartilhar notícia

Divulgação/Prefeitura de Itacaré
Praia de Itacaré, na Bahia
1 de 1 Praia de Itacaré, na Bahia - Foto: Divulgação/Prefeitura de Itacaré

Um ato pró-Palestina realizado por manifestantes em Itacaré (BA) nesse sábado (14/3) gerou uma confusão que terminou com três turistas de Israel detidos, e provocou tensão entre moradores e ativistas dos dois lados.

Pessoas alinhadas aos israelenses destacam que o grupo tem sido alvo de xenofobia.

Itacaré tem uma economia fortemente baseada no turismo, e habitantes e comerciantes locais têm expressado preocupação com um possível impacto negativo na imagem da cidade baiana para visitantes.


O caso

  • No sábado, foi realizada uma manifestação na cidade de Itacaré, organizada por locais, classificada como um debate sobre o “turismo ético”, contra o turismo “predatório e violento”.
  • O ato questionava a presença de turistas israelenses na cidade. Integrantes da organização pró-Palestina Global Summud Flotilha foram até Itacaré e participaram do evento.
  • Durante o ato, ocorreu uma confusão com um grupo de três turistas israelenses que passavam pelo local. Segundo a polícia, houve tumulto e policiais precisaram intervir e utilizar gás lacrimogêneo na contenção.
  • Três israelenses, de 21 e 22 anos, foram detidos e levados à delegacia por desacato e resistência às orientações dos policiais. Eles foram ouvidos e liberados.
  • Moradores relataram que, em outro ponto da cidade, uma manifestação a favor da presença dos turistas israelenses ocorreu simultaneamente.

O ato pró-Palestina

Participantes do ato classificam que o turismo massificado afeta destinos como Itacaré e Morro de São Paulo, e alegam que turistas israelenses têm tido comportamentos hostis com moradores locais.

Discursantes do ato questionaram se é válido receber turistas de Israel, e classificaram israelenses que serviram no exército do país como “criminosos de guerra”, em referência ao conflito ocorrido na Faixa de Gaza.

“Muita gente daqui se coloca a favor deles por causa desse dinheiro que vem melado de sangue […] só que eles estão na nossa terra, não são superiores a ninguém”, disse uma moradora local que discursou.

Um fato ocorrido no dia 7 de março na cidade de Itacaré, no qual uma mulher teve o nariz quebrado e acusou turistas israelenses de terem a agredido incentivou a mobilização da manifestação.

Em depoimento à Polícia Civil, a mulher afirmou que viu os turistas israelense quebrando vasos de plantas no local, e, ao filmar o ato, foi agredida por eles, que teriam tomado o celular da mão dela e o arremessado contra a cabeça da vítima. Os agressores ainda não foram identificados pela polícia local.

Veja vídeo da confusão de sábado (14/3):

Especialista em Israel acusa “estratégia de cancelamento coletivo”

Por outro lado, ativistas pró-Israel se posicionam contra a manifestação e acusam os manifestantes pró-Palestina de xenofobia contra israelenses. Alguns moradores locais também se posicionaram nas redes sociais a favor dos turistas israelenses, que representam boa parte dos visitantes da cidade baiana.

O cienstista político especialista em Israel André Lajst, presidente da StandWithUs Brasil, comentou sobre o ocorrido em conversa com o Metrópoles.

“Os turistas israelenses frequentam as praias brasileiras há mais de 40, 50 anos, e são muito bem-vindos. Tanto que em muitos locais, como Morro de São Paulo e Itacaré, entre outros, existem pousadas, restaurantes e várias outras atividades onde tudo está disponível em hebraico. Locais aprenderam a falar hebraico para poder se comunicar com os israelenses. Tudo isso mostra que existe uma relação. de muito carinho e de mútuo interesse entre as duas partes”, comentou Lajst.

O cientista político afirma que os israelenses não podem ser generalizados pelo comportamento equivocado e mal educado de certos turistas. “Isso acontece acho que em todas as nacionalidades, comentou.

Lasjt diz que faz parte da cultura de jovens israelenses realizarem viagens após terminarem o serviço miliar ou serviço nacional obrigatório, geralmente em viagens que duram meses de mochilão em locais de praia ou de natureza.

“Dentro desse contexto, os jovens, depois que acabam os três anos, eles trabalham um pouco, juntam dinheiro e viajam como civis, não são mais militares”. A Ásia e América Latina são destinos populares entre os israelenses por serem viagens mais baratas, segundo Lajst.

O cientista político avaliou que chamar os turistas israelenses de criminosos de guerra, sem comprovação, é uma “estratégia de cancelamento coletivo” contra israelenses. Lajst defendeu que quem tem que julgar se há ou não crime de guerra são os países nos quais o crime foi cometido, ou tribunais internacionais.

“Na minha opinião, quem tem que julgar se há crime de guerra são os países onde o crime de guerra foi cometido [..] Se existe uma acusação ou uma suspeita de que existe um soldado ou um oficial israelense que cometeu um crime de guerra e esse crime não foi investigado pelo sistema judicial de Israel com as provas já existentes, aí tem que se abrir um caso no Tribunal Penal Internacional”, comentou.

O especialista, inclusive, se manifestou nas redes sociais sobre o caso. Confira:

A advogada criminalista Lilia Frankenthal, que acompanhou o caso, também foi ouvida pelo Metrópoles sobre a situação.

“Só eles (turistas israelenses) foram levados. O comum, nessas situações, é a polícia levar pessoas dos dois lados para esclarecimentos. Ainda, não foram levados por agredir ninguém. Eles desobedeceram as ordens da polícia, depois de um deles ser agredido com um capacete”, comentou Lilia.

Comerciantes locais se posicionam

Nessa terça-feira (17/3) foi realizada uma sessão na Câmara dos Vereadores de Itacaré, na qual foram ouvidos moradores e comerciantes locais, que expressaram receio com as manifestações que, segundo eles, podem afastar visitantes de Israel da cidade baiana.

Uma empresária dona de uma pousada na cidade, comentou que grande parte dos visitantes vêm de Israel.

“Com relação ao turismo israelense, eles representam 25% de todos os visitantes da pousada durante o ano todo. No ano passado, foram 59% de brasileiros, 25% de israelenses, e o restante de outros países. No mês de março e fevereiro, trabalhamos com 80% do público israelense”, afirmou.

Outro morador acusou a secretaria de turismo de Itacaré de ser favorável ao ato pró-Palestina, pois a manifestação teria representantes da secretaria, enquanto a manifestação a favor dos turistas israelenses, não.

Ele afirmou que moradores foram proibidos de colocarem bandeiras de Israel e do Brasil em seus carros.

Após o ocorrido de sábado, a Secretaria de Cultura e a prefeitura de Itacaré fizeram uma publicação na terça (17/3) dizendo, em vários idiomas, incluindo hebraico, que “aqui todos são bem-vindos”.

Quais assuntos você deseja receber?

Ícone de sino para notificações

Parece que seu browser não está permitindo notificações. Siga os passos a baixo para habilitá-las:

1.

Ícone de ajustes do navegador

Mais opções no Google Chrome

2.

Ícone de configurações

Configurações

3.

Configurações do site

4.

Ícone de sino para notificações

Notificações

5.

Ícone de alternância ligado para notificações

Os sites podem pedir para enviar notificações

metropoles.comNotícias Gerais

Você quer ficar por dentro das notícias mais importantes e receber notificações em tempo real?