Enfermeira será a primeira a tomar a Coronavac, após aprovação da Anvisa

Após aprovação de uso emergencial pela Anvisa, governo de SP faz neste domingo primeira aplicação do imunizante na profissional da saúde

atualizado 17/01/2021 15:28

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São Paulo –  A enfermeira da Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Instituto de Infectologia Emílio Ribas Mônica Calazans (foto em destaque), 54 anos, será a primeira pessoa a receber a vacina contra o coronavírus no Brasil. O Governo de São Paulo fará na tarde deste domingo (17/1) a primeira aplicação da Coronavac, imunizante contra a Covid-19 desenvolvido pelo Instituto Butantan em parceria com a farmacêutica chinesa Sinovac.

A enfermeira receberá a vacina no Hospital das Clínicas, na capital paulista, durante pronunciamento do governador João Doria (PSDB), após a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovar o uso emergencial da vacina.

Com o ato simbólico, Doria busca tomar para si o crédito do início da campanha de vacinação contra o novo coronavírus, em meio à disputa política com o presidente Jair Bolsonaro (sem partido).

No sábado (16/1), o secretário estadual da Saúde, Jean Gorinchteyn, afirmou que o governo paulista estaria pronto para iniciar a vacinação em São Paulo já nesta segunda-feira (18/1). Isso dependeria, no entanto, de tratativas com o Ministério de Saúde sobre a quantidade de doses que ficariam no estado.

O Ministério da Saúde, que planeja iniciar a campanha de vacinação nesta semana, tem acordo com o Butantan para adquirir as 46 milhões de doses compradas pelo governo paulista da Sinovac.

Na sexta, a pasta pediu as 6 milhões de doses prontas da Coronavac disponíveis no país, após uma tentativa fracassada de trazer da Índia 2 milhões de doses do imunizante da da AstraZeneca/Universidade de Oxford, escolhido para fabricação nacional na Fiocruz.

Mônica Calazans

Moradora de Itaquera, na zona Leste da capital Paulista, Mônica leva cerca de uma hora e meia se deslocando até o trabalho no Emílio Ribas, hospital de referência para a covid-19 na região central de São Paulo.

Mônica é mulher, negra, enfermeira da linha de frente no combate à pandemia e atua na UTI do Emílio Ribas, que hoje tem 60 leitos e, desde abril, mantém mais de 90% de taxa de ocupação.

A enfermeira se enquadra no grupo de risco para complicações da Covid-19: é obesa, hipertensa e diabética.

Em maio, ela se inscreveu para vagas de CTD (Contrato por Tempo Determinado) e escolheu trabalhar no Emílio Ribas, unidade no epicentro do combate à pandemia. Segundo ela, a vocação falou mais alto.

Mônica atuou como auxiliar de enfermagem durante 26 anos e resolveu fazer faculdade já mais velha. O diploma veio aos 47. “Quem cuida do outro tem que ter determinação e não pode ter medo. É lógico que eu tenho me cuidado muito a pandemia toda. Preciso estar saudável para poder me dedicar. Quem tem um dom de cuidar do outro sabe sentir a dor do outro e jamais o abandona,” disse Mônica.

Mônica é viúva e mora com o filho Felipe, de 30 anos. Ela conta que que é minuciosa nos cuidados de higiene e distanciamento no trabalho e quando chega em casa. Aos 10 meses na linha de frente, nem ela, nem o filho se infectaram com a Covid-19. Outro forte motivo para tenta se proteger é o cuidado e ajuda à mãe, uma senhora de 72 anos, que vive sozinha em outra casa e que também não foi infectada.

Seu irmão caçula, no entanto, auxiliar de enfermagem de 44 anos, foi infectado pelo vírus e chegou a ficar 20 dias internado com a doença.

A enfermeira tenta manter o discurso otimista e o equilíbrio emocional apesar da rotina intensa. Nos momentos de folga, ela aproveita para para assistir a séries, jogos do Corinthians (de quem é torcedora fiel) e ouvir Seu Jorge, o músico favorito.

Todos os dias ela reza por ela, pelos familiares, pelos pacientes e pelos colegas de trabalho. É na fé que ela se sente mais confiante.

“Eu tenho em mente sempre que não posso me abater porque os pacientes precisam de mim, por isso tenho sempre uma palavra de positividade e de que vamos sair dessa situação. O que me ajuda também é o prazer que sinto com o meu trabalho”, afirma a enfermeira.

Para Mônica, os piores momentos são sempre quando sente que o SUS (Sistema Único de Saúde) está operando no limite. Otimista com a vacina, ela acredita que a imunização será essencial para que os brasileiros possam voltar a ter uma vida normal.

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