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Com um ambiente externo de cautela, impactado pelas eleições parlamentares nos Estados Unidos, e o mercado doméstico respondendo de forma sensível a ruídos nas sinalizações do governo eleito sobre a reforma da Previdência, o dólar operou nesta terça-feira (6/11) alternando entre altas mais significativas e amenas. Após ter tocado os R$ 3,7699 na máxima intraday, a divisa fechou esta terça-feira cotada a R$ 3,7597, alta de 0,92%.

Para o operador da corretora Hcommcor, Cleber Alessie Machado, a postura mais cautelosa do mercado externo explicita uma briga entre compradores e vendedores, o que alimenta a volatilidade. “A conjuntura externa leva investidores que estão muito expostos a enxugarem posições e quem está menos exposto aproveita para comprar, o que afeta dólar e bolsa”, diz.

Internamente, o mercado opera sensível às sinalizações do presidente eleito Jair Bolsonaro (PSL) e sua equipe em relação às medidas na área econômica, com destaque para a reforma da Previdência. A avaliação dos investidores é que há ruídos na comunicação do novo governo em relação à viabilidade de se votar a reforma ainda este ano.

Pela manhã, por exemplo, enquanto Bolsonaro afirmava que é necessário votar “a reforma possível”, sinalizando que concordaria com o texto que está atualmente no Congresso, seu filho, Eduardo Bolsonaro, afirmou achar “difícil” que a votação saísse este ano.

“O mercado está bipolar em relação à Previdência, sensível a essas informações trocadas sobre a votação este ano, ora do Bolsonaro, ora do Guedes, ora dos filhos (do presidente eleito), ora do atual governo”, aponta um operador.

Lá fora, o principal impacto do dia são as eleições de meio de mandato para o parlamento americano, cujo resultado deve sair apenas na madrugada. “Lá fora operou retrancado. Os mercados globais estão correndo atrás de ativos de menos risco e o dólar sintetizou esse movimento”, aponta o mesmo operador.