Bolsonaro pede a Guimarães que explique baixos empréstimos ao Nordeste
Presidente da Caixa Econômica Federal negou que haja qualquer indicação para não favorecer uma região ou outra
atualizado
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Ao conversar com jornalistas na porta do Palácio da Alvorada, nesta sexta-feira (02/08/2019), o presidente Jair Bolsonaro (PSL) ligou para o presidente da Caixa Econômica Federal, Pedro Guimarães, e, no viva-voz, pediu que ele explicasse o baixo número de empréstimos a estados e municípios do Nordeste feitos pela instituição.
Guimarães contestou, do outro lado da linha, os dados divulgados em reportagem do jornal O Estado de São Paulo que aponta a redução de empréstimos para a região, de acordo com dados do próprio Tesouro Nacional. “Não existe nenhuma indicação para não favorecer uma região ou outra”, disse o presidente da Caixa.
“Este ano, liberamos muito mais dinheiro para a Região Nordeste. O que acontece é que você tem uma série de esteiras de análise. Neste momento, estamos analisando inclusive para o Estado da Paraíba e para o município de São Luís (MA)”, informou.
Antes de fazer a ligação, Bolsonaro indicou que já havia conversado com Guimarães e apontou a inadimplência das prefeituras como fator de baixa nos empréstimos. “Houve um equívoco nessa informação. As prefeituras do Nordeste são as mais inadimplentes e a Caixa precisa de garantias para poder emprestar”, frisou.
Apesar do argumento da inadimplência adotado pelo presidente como possível justificativa para o baixo índice de empréstimos, Guimarães disse não reconhecer o dado de 2,2% de empréstimos à região mostrado pela reportagem.
“Esse dado não é algo que reconhecemos. Simplesmente pegaram um dado específico, mas vai ser normalizado. Mas se é 20%, 15%, essa é uma análise técnica. É matemática”, assinalou. Ao encerrar a ligação, Bolsonaro disse: “Isso é igual o desmatamento”, em referência a dados oficiais contestados por ele recentemente.
A reportagem publicada nesta sexta-feira revela que a Caixa reduziu a concessão de novos empréstimos para o Nordeste neste ano. Segundo levantamento feito pelo jornal com base nos números do próprio banco e do sistema do Tesouro Nacional, de janeiro a julho de 2019, somente R$ 89 milhões dos R$ 4 bilhões fechados pela instituição em operações de crédito foram para a região, ante R$ 1,3 bilhão em 2018, ou 21,6% do total.
O jornal afirma que a ordem para não atender a pedidos da região teria partido do presidente do banco.
