DPU pede que STF rejeite denúncia da PGR contra Eduardo Bolsonaro

Pedido foi feito ao STF para barrar denúncia da PGR por coação. Filho do ex-presidente permanece nos EUA

atualizado

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1 de 1 Eduardo Bolsonaro - Foto: Vinicius Schmidt/Metropoles

A Defensoria Pública da União (DPU) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) a rejeição da denúncia apresentada pela Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL-SP).

O filho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) foi denunciado, em setembro, junto ao jornalista Paulo Figueiredo pelo crime de coação. A DPU atua na defesa do parlamentar, porque ele não indicou advogados no Brasil, já que está nos Estados Unidos desde o início do ano.

Em manifestação enviada ao ministro Alexandre de Moraes na noite desta sexta-feira (31/10), o defensor público Antonio Ezequiel Inácio Barbosa argumentou que o correto seria a intimação de Eduardo Bolsonaro por carta rogatória, uma vez que o STF sabe onde o parlamentar está.

“O eminente ministro relator consignou que o denunciado possui domicílio em Brasília, exerce mandato de deputado federal e sua estada no exterior seria transitória. Contudo, essas circunstâncias não afastam a incidência do artigo 368. O dispositivo estabelece critério objetivo e territorial: onde o acusado está fisicamente localizado. Não estabelece critério subjetivo ou funcional”, escreveu o defensor, ao sustentar que, se o legislador desejasse restringir a carta rogatória apenas a casos de ausência de domicílio no Brasil ou de permanência definitiva no exterior, “teria expressamente estabelecido tais requisitos”.

O defensor afirmou ainda que a tipificação do crime feita pelo procurador-geral da República, Paulo Gonet, está equivocada, pois, segundo a defesa, o delito de coação exige “violência ou grave ameaça”, o que não estaria presente no caso.

Barbosa alegou que as manifestações de Eduardo em articulações políticas nos Estados Unidos configuram declarações públicas sobre reuniões internacionais, e que o parlamentar não detém poder para impor ou retirar sanções econômicas, citando como exemplo as tarifas comerciais impostas pelos EUA ao Brasil.

“A denúncia não demonstra que o denunciado tenha poder de concretizar as consequências que menciona em suas manifestações. Atribui genericamente ao denunciado a capacidade de ‘obter’ sanções de governo estrangeiro, mas não comprova que tenha efetivo poder de decisão sobre atos soberanos dos Estados Unidos”, afirmou.

Segundo a defesa, a acusação “confunde manifestação política com coação processual”.

“As condutas descritas inserem-se no debate político sobre relações internacionais, política externa e soberania nacional. Não configuram o elemento objetivo do tipo penal previsto no artigo 344 do Código Penal”, completou.

Ao final, a DPU pede a rejeição da denúncia e que as ações de Eduardo Bolsonaro nos EUA sejam reconhecidas como exercício regular de direito e liberdade de expressão, protegidos pela imunidade parlamentar.

O Metrópoles tenta contato com o parlamentar.

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STF tenta intimar Eduardo, mas não consegue

Um oficial de Justiça tentou intimar Eduardo no mês passado em dois endereços e recebeu a confirmação de que o parlamentar está nos Estados Unidos. A informação já era de conhecimento das autoridades, mas, por formalidade, a medida é necessária para notificá-lo da denúncia da PGR por coação.

De acordo com o oficial, “conforme informações ampla e notoriamente divulgadas e difundidas em todos os meios e canais de comunicação, o Exmo. Deputado Federal Eduardo Nantes Bolsonaro encontra-se residindo em Estado estrangeiro”.

“Em contato telefônico com o respectivo gabinete, obtive, mais uma vez, a confirmação de que o notificando se encontra nos Estados Unidos”, informou o oficial de Justiça ao STF.

Assim, por estar o parlamentar fora do Brasil, o oficial de Justiça comunicou não ser possível cumprir a notificação determinada por Moraes.

Diante da ausência de defesa constituída, Moraes determinou que a DPU atuasse na representação do parlamentar. Paralelamente, o ministro expediu carta rogatória para intimar Figueiredo nos EUA, onde ele reside há mais de 10 anos.

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