Cidades do interior lideram denúncias de fake news eleitorais ao TSE

Aplicativo Pardal, da Justiça Eleitoral, recebe e apura reclamações de propaganda eleitoral irregular. Já recebeu 2.336 delas desde domingo

atualizado 02/10/2020 8:40

José Cruz/Agência Brasil

O Tribunal Superior Eleitoral (TSE) tem um aplicativo de celular destinado a receber denúncias sobre informações falsas ou distorcidas na campanha eleitoral de 2020, o Pardal. Seu objetivo é acelerar a apuração de possíveis crimes eleitorais, com essas informações chegando diretamente aos Tribunais Regionais Eleitorais (TREs) e ao Ministério Público Eleitoral. O canal está aberto desde o último domingo (27/9), quando começaram oficialmente as campanhas, e, até a tarde de quinta-feira (1º/10), já havia recebido 2.336 denúncias.

Eleitores de todos os estados brasileiros (neste ano o DF não tem eleição) já enviaram reclamações pelo Pardal nesta primeira semana de campanha, e o que chama a atenção nos números é que as cidades que lideram esse ranking não são as maiores, onde está a imensa maioria dos votantes. É no interior que as denúncias de fake news estão quentes nesta largada.

Dá para acompanhar a evolução dos números em tempo real no site do TSE.

A cidade brasileira que mais reclamou ao Pardal até agora foi Jauru, em Mato Grosso, com 47 registros. É quase um quarto das reclamações de todo o estado, que foram 200. Em Cuiabá, a capital, ocorreram apenas oito denúncias.

Jauru tem apenas 10 mil habitantes, segundo o IBGE. Lá, o atual prefeito, Pedro Ferreira (Republicanos), tenta a reeleição contra seis concorrentes: Carlos Rossi (Patriota); Dr. José Roberto (Podemos); Jucelino (SDD); Luciano Dmylks (PV); Passarinho (PSB) e Toninho Borá (PL).

Em outra cidade do interior de Mato Grosso, Guarantã do Norte, de 35 mil habitantes, foram 36 denúncias ao Pardal, um dos números mais altos do país. Lá, o prefeito Érico Stevan (DEM) enfrenta o ex-prefeito Lutero Siqueira (PL), e o vereador e locutor de rodeios Celso Henrique (PDT), além do médico Paulo César (PSL), que faz campanha defendendo o bolsonarismo.

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Também com 36 denúncias, a capital baiana, Salvador, se destaca entre os locais com mais queixas de propagandas falsas até agora, mas é seguida pela interiorana Mata de São João, onde vivem 47 mil pessoas e de onde partiram 30 acusações ao Pardal.

Segundo maior colégio eleitoral do país, Minas Gerais não registra, até agora, muitas reclamações em cidades específicas. Das 192 denúncias no estado, a cidade “líder” foi Carmo do Paranaíba, com 13. Na capital, Belo Horizonte, foram 9.

Na Paraíba, Catolé do Rocha, com 21 denúncias, fica bem à frente da capital, João Pessoa, que tem 4, nesse ranking. E em Pernambuco, Paulista, com 35, tem mais reclamações que Recife, com 30, ao Pardal.

Em São Paulo, o estado mais populoso, foram feitas a maioria das denúncias até ontem: 474. Da capital e maior cidade do país vieram 24 reclamações. Menos que as 28 de Restinga, onde vivem 7 mil pessoas.

Quem reclama do Pardal?

Nas redes sociais e nas lojas de aplicativo onde é possível baixar o Pardal para sistemas Android ou iOS há internautas reclamando de falhas no sistema e dificuldades para postar denúncias. Consultado, o TSE informou ao Metrópoles que não encontrou nenhum problema técnico.

A reportagem baixou o app e pode dizer que ele é, no mínimo, chato de operar. Para denunciar uma propaganda irregular, é preciso enviar uma foto e fazer detalhado relatório da suposta irregularidade. É preciso preencher integralmente todos os campos. Segundo o TSE, são medidas para evitar o recebimento de queixas infundadas ou repetitivas (lixo eletrônico).

Também é preciso se identificar e fornecer endereço de e-mail. Os dados pessoais são protegidos conforme a nova Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD).

O TSE ainda não divulgou dados sobre o encaminhamento das denúncias recebidas até agora.

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