Carros esportivos de empresário morto pelo filho são apreendidos em SP
Os veículos devem passar por perícia; crime ocorreu na tarde de terça-feira (3/8) em Valinhos, no interior paulista
atualizado
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São Paulo – Três carros importados de luxo, incluindo uma Lamborghini, pertencentes ao empresário de 42 anos morto pelo filho em um condomínio de luxo em Valinhos, a 85 km da capital paulista, foram apreendidos pela Polícia Civil nesta quarta-feira (4/8). Os veículos devem passar por perícia.
De acordo com a polícia, o adolescente de 15 anos matou o pai com três tiros, com uma arma que era da coleção do empresário, uma pistola 9mm. O fato aconteceu nessa terça-feira (3/8). Segundo o jovem, ele e a mãe eram vítimas frequentes de agressões físicas e psicológicas do pai.
De acordo com a tabela Fipe (Fundação Instituto de Pesquisa Econômicas), entre os veículos apreendidos, um deles é avaliado em R$ 640 mil, outro em R$ 785 mil e o terceiro não teve valor estimado. Além da perícia nos carros, a polícia investiga ainda a origem do dinheiro usado na compra dos automóveis, bem como o alto padrão de vida da família.
Armas
Foram apreendidos no imóvel de luxo um fuzil calibre 556, duas pistolas 9mm, duas pistolas calibre 380, outra calibre ponto 40, dois revólveres calibre 4,5 milímetros e calibre 357, além de 15 carregadores, sendo cindo de fuzil e o restante de pistolas. Desse total, até o momento, foram encontrados os registro de dois revólveres e uma pistola.
“Nossa função é apurar o homicídio, ou seja, a autoria, que já está esclarecida. A materialidade, também, pois a arma do crime já foi apreendida. Agora, vamos apurar as circunstâncias em que isso ocorreu”, afirmou o delegado responsável pelo caso, José Henrique Vieira, ao portal Agora São Paulo.
Reconstituição do crime
De acordo com Vieira, a reconstituição do caso deve ser agendada “em breve”, para que a delegacia entenda os motivos que levaram à morte do empresário. “Tanto o menino quanto a mãe afirmaram estar à disposição. Isso vai ajudar a entender o passo a passo [do homicídio] e verificar se há uma sintonia entre as etapas”, disse o investigador.

Depoimento
Em depoimento, o filho e a mulher da vítima, de 35 anos, disseram que o empresário teria apontado uma arma de fogo na direção da cabeça deles, quando estava no escritório da residência, na noite que antecedeu o crime, “dizendo que ia matá-los”.
Conforme o relato, o homem teria saído de casa depois dessa situação e retornado na terça pela manhã, quando houve uma nova discussão, com mais ênfase na mulher. Segundo trecho do depoimento, as brigas e violência doméstica eram constantes.
O documento conta que o homem mandou mãe e filho comerem apenas pão, a partir daquele momento, pois não poderiam se alimentar com as mesmas comidas que ele, além de dizer que deveriam ir embora do local. Quando mãe e filho estavam arrumando os pertences e se preparavam para entrar em um carro na garagem, o empresário teria mandado o adolescente ir para quarto, nu, para levar um surra na qual “ia perder os dentes” e “se não morresse, ia ficar aleijado”.
De acordo com o registrado pelo depoimento, mãe e filho voltaram para a residência e ficaram em cômodos diferentes. Logo em seguida, a mulher afirmou ter ouvido um tiro e ter visto o marido seguindo em direção à garagem, onde entrou em um carro.
O adolescente pensou que o pai teria outra arma no veículo e desferiu mais dois disparos contra ele. De acordo com a polícia, os três tiros atingiram a vítima na região da barriga. O empresário morreu ainda no local.
Mãe e filho foram levados para a delegacia, onde prestaram depoimentos, mas foram liberados. O jovem responderá o crime em liberdade. O caso tramitará na Vara da Infância e Juventude.
