Bolsonaro diz que imprensa defende “canalhas” e quer liberdade das mídias

Presidente participou de solenidade de formação de 485 soldados da Polícia Militar do Rio de Janeiro

atualizado 18/12/2020 16:08

Isac Nóbrega/PR

Em evento da Polícia Militar no Rio de Janeiro, o presidente Jair Bolsonaro (sem partido) disparou críticas contra a imprensa, que chamou de “máquina de fake news”, e defendeu a liberdade das mídias sociais. O chefe do Executivo cumpre agenda nesta sexta-feira (18/12) na capital fluminense, base eleitoral dele e de dois dos filhos políticos.

O presidente elogiava o trabalho dos policiais militares, quando declarou que a imprensa defende “canalhas”. “Uma fração de segundo está em risco a sua vida, do cidadão de bem ou de um canalha defendido pela imprensa brasileira. Não se esqueçam disso: essa imprensa jamais estará do lado da verdade, da honra e da lei. Sempre estará contra vocês”, disse ele.

“Não esperemos da imprensa a verdade. Eles sequer sabem o versículo João 8:32”, continuou. “Contamos com o povo maravilhoso ao nosso lado e com a liberdade das mídias sociais, que esta, sim, traz a verdade para vocês, porque uma fábrica de fake news está na grande parte da imprensa brasileira. Isto é uma vergonha para o mundo.”

Por meio do chamado “inquérito das fake news”, o Supremo Tribunal Federal (STF) apura ameaças a ministros da Corte e a disseminação de conteúdo falso na internet. Um dos alvos da investigação é o site governista Terça Livre e o editor, Allan dos Santos. O inquérito incomoda o Palácio do Planalto, onde foi apontada a existência de um “gabinete do ódio”, financiado com dinheiro público para atacar opositores do governo e do próprio dirigente do país.

O presidente já chamou a investigação de “inconstitucional” e alegou que querem tirar a mídia que atua a seu favor. “Estão perseguindo gente que apoia o governo de graça. Querem tirar a mídia que eu tenho a meu favor, sob o argumento mentiroso de fake news. Não teremos outro dia igual a ontem, chega, chegamos no limite”, afirmou, em maio, após operação da Polícia Federal (PF) que atingiu redes bolsonaristas.

“Por mais que queiram nos enxovalhar, não conseguem. Em qualquer lugar que estou do Brasil, lá o capitão Jair Bolsonaro é muito bem tratado junto à população”, finalizou. “E assim é também como tenho constatado o nosso policial militar quando está trabalhando nas ruas. Vocês são heróis de verdade. Vocês, inclusive, protegem a vida de quem nada fez por nós, mas nós acreditamos no próximo.”

O chefe do Executivo também classificou a PMRJ como “uma das melhores polícias militares do Brasil” e parabenizou o governador em exercício do Rio, Cláudio Castro (PSC), pela gestão do estado. Vice de Wilson Witzel (PSC), Castro foi alçado ao posto de governador interino em agosto, após o afastamento do titular, por 180 dias, devido a irregularidades na saúde do Rio.

Aliados na campanha, Bolsonaro e o governador afastado do Rio, Wilson Witzel (PSC), entraram em embates ao longo de 2020, quando passaram a divergir sobre a condução da pandemia. Os dois também entraram em rota de colisão em função do avanço de investigações contra um dos filhos do presidente, o senador Flávio Bolsonaro (Republicanos-RJ). De acordo com o mandatário da República, Castro conduz o estado “da forma como um governador de verdade deve conduzir”. “O senhor honra o seu mandato”, elogiou.

Solenidade

O presidente participou de solenidade de formação de 485 policiais militares do Rio. O capelão da PMRJ, major Enoque Rafael, conduziu uma oração do Pai Nosso e repetiu o slogan de campanha de Bolsonaro — “Brasil acima de tudo e Deus acima de todos”. Enoque Rafael disputou uma vaga na Câmara Municipal do Rio nas eleições de 2020, mas não foi eleito.

O evento também contou com a participação dos ministros da Casa Civil, Walter Souza Braga Netto, e do Meio Ambiente, Ricardo Salles, e do senador Flávio Bolsonaro, além de deputados federais do Rio. Na ocasião, as autoridades presentes receberam medalha do Centro de Formação e Aperfeiçoamento de Praças.

Integrantes da Polícia Militar se aliaram a Bolsonaro desde a campanha. O alinhamento ideológico se refletiu na gestão do presidente, que, entre outras ações, separou os militares na reforma da Previdência e enviou ao Congresso proposta com regras mais brandas de aposentadorias para as Forças Armadas.

Em aparte concedido pelo governador, Flávio também fez elogios a Cláudio Castro, a quem chamou de “governador honrado”, e afirmou que ele está concentrado na recuperação do estado. “No que depender do senador Flávio Bolsonaro, no que depender do presidente Bolsonaro também, os nossos militares, os nossos policiais sempre serão colocados em primeiro lugar”, disse ele.

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