Alvo de investigação, conheça as mudanças previstas para o Pix
O pix virou, novamente, motivo de investigação pelos EUA. No ar desde 2020, o meio de pagamento é o mais utilizado pelos brasileiros
atualizado
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Alvo de críticas pelo governo do presidente dos Estados Unidos (EUA), Donald Trump, o Pix foi lançado em 2020. Conforme o Banco Central (BC), a ferramenta segue em constante evolução. A instituição reforça que atualizações estão previstas até o fim do ano.
Segundo o governo norte-americano, a tecnologia do Pix pode ser prejudicial às empresas de cartão de crédito, como Visa e Mastercard. Esta é a segunda vez que o sistema de pagamentos entra na mira dos EUA.
No ano passado, um relatório apontou o Pix como uma prática desleal de pagamento eletrônico. “O Brasil parece se envolver em uma série de práticas desleais em relação a serviços de pagamento eletrônico, incluindo, mas não se limitando a favorecer seus serviços de pagamento eletrônico desenvolvidos pelo governo”, disse o Escritório do Representante de Comércio dos EUA.
No Brasil, mais de 80% da população são usuárias desta tecnologia, que movimentou mais de R$ 35 trilhões no ano passado.
Em defesa do método de pagamento, o BC garante que investe constantemente em uma agenda de inovação para aperfeiçoamento e melhorias no sistema Pix. “Nos últimos anos, foram implementadas novidades como o Pix por aproximação, Pix automático, Pix agendado e Pix cobrança”, diz a instituição.
Conheça a agenda de inovação do BC para o Pix
Fazem parte da agenda de inovação do Pix as seguintes novidades:
- Split tributário: a ideia é que até o fim de 2026, o Pix se adeque ao sistema de pagamento de impostos em tempo real que vem sendo desenvolvido pela Receita Federal (RF) para a reforma tributária sobre o consumo.
- Cobrança híbrida: a medida prevê a inclusão obrigatória da opção de pagamento via Pix, por meio de QR Code, em cobranças que também possam ser quitadas pelo arranjo de boleto. Atualmente oferecida de forma facultativa por instituições financeiras e empresas, a funcionalidade passará a ser exigida a partir de novembro deste ano.
- Duplicata: permitirá o pagamento de duplicatas, que são títulos de créditos, através do Pix, facilitando a antecipação de recebíveis e reduzindo custos operacionais.
- Pix em garantia: o objetivo é que o Pix em garantia funcione como um tipo de crédito consignado para trabalhadores, possibilitando garantias futuras, ou seja, valores que ainda irão receber. A expectativa é facilitar a liberação dos empréstimos e reduzir as taxas de juros cobradas pelos bancos.
- Pix por aproximação offline: nos mesmos moldes do que já funciona atualmente, a única alteração estudada pelo BC é a possibilidade de fazer Pix sem estar conectado a uma rede de internet.
- Pix em internacional: o Pix já funciona em alguns países, como Portugal e EUA. A ideia da autoridade monetária é que o uso da tecnologia seja ampliado, permitindo o pagamento transfronteiriço de forma definitiva entre países.
Lula defende
Na última quinta-feira (2/4), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) defendeu o Pix ao citar o relatório do governo americano. Lula afirmou que “ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”.
“Os Estados Unidos fez um relatório essa semana sobre o Pix, e ele disse que o Pix distorce o comércio internacional, porque o Pix acho que cria problema para a moeda dele. O que é importante a gente dizer para quem quiser nos ouvir: o Pix é do Brasil e ninguém vai fazer a gente mudar o Pix, pelo serviço que ele está prestando à sociedade brasileira”, disse.
