Sicário de Vorcaro perseguiu empresário na vizinhança de Silvio Santos
Alvo de ataque hacker a mando de Daniel Vorcaro, Luiz Camasmie diz que Sicário confundiu lar da sua família com antiga casa de Silvio Santos

Ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro ordenou a Luiz Phillipi Machado de Moraes Mourão, conhecido como Sicário, que atacasse um empresário que criticou operações do Master em um grupo de WhatsApp com centenas de operadores do mercado financeiro. O faz-tudo do ex-banqueiro recebia R$ 1 milhão por mês para exercer serviços criminosos e perseguir desafetos do chefe, segundo a Polícia Federal (PF).
O alvo era Luiz Camasmie, que administra grupos do aplicativo de mensagens e páginas no Instagram, mas Sicário cometeu uma série de equívocos enquanto o perseguia. As confusões foram relatadas para Vorcaro em mensagens interceptadas pela PF.
A primeira falha de Sicário foi confundir Luiz Camasmie com o pai dele, um homem de mais de 80 anos. O segundo engano foi achar que o empresário vivia na mansão onde Silvio Santos morou. Na verdade, a família morava na casa ao lado à do ex-apresentador, no Morumbi, bairro de alto padrão da zona oeste de São Paulo.
Na semana passada, o ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantou o sigilo da investigação sobre Sicário. Quando Camasmie teve acesso a esses documentos, ligou pontos e compreendeu episódios que ocorreram com ele e seus familiares que até então não faziam sentido.
Perseguição “física e virtual”
Casamine disse ao Metrópoles que foi vítima de “perseguição física e virtual”. No dia 17 de outubro de 2024, quando Sicário enviou informações sobre o empresário a Vorcaro, ele recebeu uma notificação extrajudicial para apagar as mensagens enviadas no grupo de WhatsApp “Market Live”, com centenas de operadores da Faria Lima.
“Eu sofri perseguição física e virtual, e foram atrás do meu pai. As datas coincidem. Quem não imaginaria algo desse tipo?”, afirma o empresário.
O pai de Casamine é um idoso que enfrenta uma doença neurodegenerativa. No mesmo período, ele foi à padaria ao lado da casa com um amigo. Enquanto os dois tomavam um café, ele saiu do estabelecimento para fumar e, na volta, disse ao amigo que foi fumar, ocultando um fato.
Na verdade, ele foi abordado numa suposta tentativa de assalto por dois homens que não chegaram a encostar no idoso, mas falaram com ele, de acordo com testemunhas que estavam no local.
A família acredita que o assalto foi uma percepção equivocada do idoso causada por sua condição de saúde, mas que os homens eram capangas de Vorcaro que o abordaram em meio ao monitoramento ao filho.
Mensagens mostram confusão
As mensagens interceptadas pela PF mostram as confusões feitas por Sicário ao perseguir o empresário que publicou opiniões que desagradaram a Vorcaro no WhatsApp.
Segundo a PF, em 17 de outubro de 2024, Daniel Vorcaro enviou o texto “puxou o cara errado” a Sicário, que respondeu “não, a linha está em nome desse senhor”.
A troca de mensagem revela a primeira confusão. Em vez de perseguir Luiz Casamine, dono do grupo no WhatsApp, Sicário estava atrás do pai dele, que era o dono da linha telefônica do empresário.
Meia hora depois, Sicário reconhece o erro: “Parece que é um parente dele”, responde. Mas isso não o impede de cometer uma segunda confusão.
No dia seguinte, o capanga diz a Vorcaro: “[Ele] mora no Morumbi foram lá. O que vc quer que faça?”. Na sequência o capanga encaminha uma outra mensagem ao ex-banqueiro: “Cara mora onde Silvio Santos morava kkkk”. A família de Casamine vive no Morumbi, mas na casa ao lado à do ex-apresentador.
Briga na Justiça
Outra mensagem interceptada pela PF, entre Vorcaro e Sicário, mostra que hackers tinham acessado o serviço de nuvem de Luiz Camasmie e do pai dele. A operação teria sido executada pelo grupo denominado “os meninos, que fazia ataques cibernéticos a mando do ex-banqueiro do Master.
O empresário foi efetivamente hackeado e teve de entrar na Justiça com ofícios à Meta, empresa que comanda o WhatsApp, e a operadoras de telefonia para retomar o controle do seu celular. Camasmie desembolsou cerca de R$ 50 mil para recuperar os números invadidos.

Receba no seu email as notícias de Metrópoles SP
Frequência de envio: Diário
Ver todas







