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Música

Crítica: "Villains" desbrava face mais pop do Queens of the Stone Age

Com produção de Mark Ronson, do hit "Uptown Funk", Josh Homme e companhia misturam as guitarras do stoner com disco e sintetizadores

29/08/2017 05:30
Mark Metcalfe/Getty Images
Crítica: “Villains” desbrava face mais pop do Queens of the Stone Age

“Villains”, novo trabalho do Queens of the Stone Age, funciona como um autodesafio. Que tal chamar Mark Ronson, o produtor do hit “Uptown Funk” (cantado por Bruno Mars), para mesclar as consagradas guitarras stoner de Josh Homme com sintetizadores e batidas de música disco?

O sétimo álbum de estúdio do QOTSA poderia soar como uma afronta aos fãs puristas. Mas Homme, roqueiro de alcance pop, apesar da pose de bad boy, sabe se rebelar e declara a “revolução” sem perder de vista uma certa noção de prestígio.

“Feet Don’t Fail Me” e “The Way You Used To Do”, faixas que abrem “Villains”, revelam esse equilíbrio de forças: vocação pop (a primeira é sobre fazer música, a segunda frequentaria tranquilamente a setlist de uma festa) combinada com as guitarras pesadas de sempre.

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Josh Homme, um dos roqueiros mais respeitados da atualidade, arriscou flertar com a disco music em seu novo trabalho
Com um som que mistura as guitarras pesadas do stoner, estilo cristalizado pela banda, e melodias acessíveis, o grupo tenta seguir nova direção a partir de "Villains"
Sem artistas convidados, "Villains" é o primeiro disco de estúdio do grupo desde "...Like Clockwork" (2013)
Josh Homme se apresenta com o QOTSA no Rock in Rio 2015. Segundo o site Popload, do jornalista Lucio Ribeiro, a banda virá ao Brasil em fevereiro de 2018 para turnê conjunta com o Foo Fighters, de Dave Grohl
Josh Homme e Iggy Pop: o astro do stoner produziu o mais recente disco do ícone punk, "Post Pop Depression" (2016). Homme também tocou guitarra no álbum
Capa do disco "Villains": segundo Homme, os "vilões" do título não têm conotação política
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Capa do disco "Villains": segundo Homme, os "vilões" do título não têm conotação política

Matador/Divulgação
Josh Homme, um dos roqueiros mais respeitados da atualidade, arriscou flertar com a disco music em seu novo trabalho
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Josh Homme, um dos roqueiros mais respeitados da atualidade, arriscou flertar com a disco music em seu novo trabalho

Mark Metcalfe/Getty Images
Com um som que mistura as guitarras pesadas do stoner, estilo cristalizado pela banda, e melodias acessíveis, o grupo tenta seguir nova direção a partir de "Villains"
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Com um som que mistura as guitarras pesadas do stoner, estilo cristalizado pela banda, e melodias acessíveis, o grupo tenta seguir nova direção a partir de "Villains"

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Sem artistas convidados, "Villains" é o primeiro disco de estúdio do grupo desde "...Like Clockwork" (2013)
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Sem artistas convidados, "Villains" é o primeiro disco de estúdio do grupo desde "...Like Clockwork" (2013)

Mark Metcalfe/Getty Images
Josh Homme se apresenta com o QOTSA no Rock in Rio 2015. Segundo o site Popload, do jornalista Lucio Ribeiro, a banda virá ao Brasil em fevereiro de 2018 para turnê conjunta com o Foo Fighters, de Dave Grohl
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Josh Homme se apresenta com o QOTSA no Rock in Rio 2015. Segundo o site Popload, do jornalista Lucio Ribeiro, a banda virá ao Brasil em fevereiro de 2018 para turnê conjunta com o Foo Fighters, de Dave Grohl

Raphael Dias/Getty Images
Josh Homme e Iggy Pop: o astro do stoner produziu o mais recente disco do ícone punk, "Post Pop Depression" (2016). Homme também tocou guitarra no álbum
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Josh Homme e Iggy Pop: o astro do stoner produziu o mais recente disco do ícone punk, "Post Pop Depression" (2016). Homme também tocou guitarra no álbum

Kevin Winter/Getty Images

Stoner hitmaker: quando o QOTSA chama pra dançar
Nenhum amigo de Homme participa de “Villains” (Mark Lanegan, por exemplo, para citar o mais frequente e valioso deles), mas o disco não se ressente de parcerias. Se “Domesticated Animals” indica outro traço (nada sutil) de autoelogio (“vou te dizer onde está o ouro / está na terra”), “Fortress” é o mais próximo que o álbum chega de uma franca baladinha.

Homme é sempre celebrado pelo que fez ao stoner – tornou-o mainstream nos discos “Rated R” (2000) e “Songs for the Deaf” (2002) –, mas pouco alardeado pela maneira com que esse rock pesado se tornou uma grife alternativa tão respeitada quanto o revival garageiro de Strokes, White Stripes e Arctic Monkeys (cujo “Humbug” carrega produção de Homme).

Some os pitacos de Ronson às experiências recentes de Homme como produtor (discos de Nick Valensi, guitarrista do Strokes, e do dinossauro punk Iggy Pop) e você tem desde o groove eletrônico de “Hideaway” aos riffs de “rock clássico” tocados em “The Evil Has Landed”.

“Villains of Circumstance”, envolta num ar de épico sentimental (“serei seu para sempre”, diz o refrão), fornece a nota final de um disco talvez um pouco autoimportante, mas capaz de apresentar uma genuína redescoberta (e, por que não, autoprovocação).

Avaliação: Bom

“Villains” está disponível em streaming (Apple Music, Deezer, Google Play e Spotify) e em CD (R$ 39,90)