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A principal vítima da Máfia das Próteses que agia no Distrito Federal recebeu uma nova ameaça. Com os bens bloqueados e a possibilidade de voltar à prisão, um dos especialistas denunciados teria dito que está com muito “ódio” de quem o denunciou e que iria fazer Ana (nome fictício) pagar por tudo que ela fez, nem que seja “a última coisa que eu faça na vida”. O médico teria dito, ainda, para ela ter cuidado. A ameaça foi repassada à vítima por terceiros.

A ameaça indireta foi comunicada aos investigadores da Divisão Especial de Combate ao Crime Organizado (Deco) na quarta-feira (14/5). A Polícia Civil informou ao Metrópoles que vai apurar o caso. A identidade dos envolvidos foi preservada a pedido do advogado da mulher, para não prejudicar as investigações. O médico acusado está entre os presos da Operação Mr. Hyde, deflagrada em 1º de setembro.

Ana teve um material metálico de 53 centímetros deixado na jugular, um erro médico que os investigadores atribuem a uma tentativa de homicídio. Ela teria, ainda, sofrido outro atentado, quando homens invadiram a sua casa e aplicado uma injeção, que deveria ter sido letal. Esse último caso, segundo a polícia, ocorreu na madrugada de 14 de agosto, por volta de 5h, enquanto a vítima dormia.

Os suspeitos entraram na casa pulando o muro e a surpreenderam enquanto Ana dormia. A substância foi aplicada e algum tipo de tubo colocado em seu nariz. Às 5h50, policiais da Divisão Especial de Repressão ao Crime Organizado (Deco) foram acionados e chegaram à residência da vítima.

Reprodução

Material encontrado na jugular de Ana

 

Ana guardava em sua casa uma série de documentos que incriminavam médicos, funcionários de hospitais e empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs). Provas que envolviam todos no grande esquema criminoso investigado pela Operação Mr. Hyde.

A primeira cirurgia da mulher ocorreu no Hospital Home, em dezembro de 2014. Ela havia sofrido um mau jeito na coluna e fez 10 sessões de fisioterapia. Sem avanço na recuperação, a equipe médica sugeriu o procedimento, com a colocação de quatro parafusos e duas placas na coluna. “Tive infecção e, em janeiro, fiz o segundo procedimento. Depois, em um ano, fiz outras quatro cirurgias. No fim do ano passado, em uma delas, foi deixado o fio na minha jugular”, contou ao Metrópoles.

O esquema
Segundo a investigação dos promotores e dos policiais civis, o grupo usava os procedimentos cirúrgicos para ganhar cada vez mais dinheiro. Entre as 13 pessoas presas na Operação Mr Hyde, estão médicos e representantes de empresas fornecedoras de órteses, próteses e materiais especiais (OPMEs). Segundo as investigações, cerca de 60 pacientes foram lesados em 2016 somente por uma empresa, a TM Medical.

O esquema teria movimentado R$ 30 milhões em cirurgias, equipamentos e propinas. Há casos de pacientes que foram submetidos a procedimentos desnecessários, como sucessivas cirurgias, para que gerassem mais lucro aos suspeitos. Em outros, conforme revelado pelas investigações, eram utilizados produtos vencidos e feita a troca de próteses mais caras por outras baratas.

 

 

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