Sindicalista acusa Rollemberg de comandar esquema de corrupção
CPI da Saúde na Câmara Legislativa aprovou requerimento que pede acesso aos documentos entregues pela presidente do SindSaúde ao Ministério Público

A presidente do Sindicato dos Empregados em Estabelecimentos de Saúde (SindSaúde), Marli Rodrigues, acusou o governador Rollemberg (PSB) e a mulher dele, Márcia Rollemberg, de serem os mentores de um esquema de corrupção dentro da Secretaria da Saúde do DF. “Existem duas frentes: uma comandada pelo senhor Rodrigo Rollemberg e a outra pela primeira-dama”, afirmou.
Segundo a sindicalista, eles são os responsáveis por indicar os operadores do grupo dentro da pasta: Ricardo Cardoso, então funcionário do Ministério da Saúde, e Marcello Nóbrega, subsecretário de Logística e Infraestrutura de Saúde. Marcado para as 10h desta quinta-feira (21/7), o depoimento começou com cerca de uma hora de atraso.Marli contou que o esquema envolvia a quebra da ordem dos pagamentos feitos pelo ex-diretor do Fundo de Saúde do Distrito Federal, Ricardo Cardoso, indicado pelo governador Rodrigo Rollemberg. Com a ajuda de um servidor – que a sindicalista identificou como Vanderlan Ribeiro -, eles apontavam defeitos, muitas vezes inexistentes, para que os processos tivessem de ser revistos e empresas ligadas ao esquema recebessem antes.
A presidente do sindicato afirmou ainda que Marcello Nóbrega, indicado pela primeira-dama Márcia Rollemberg, era quem segurava os processos e atrapalhava o trabalho dos secretários que passaram pela pasta. Ele também foi o responsável por rasgar uma nota de empenho da compra de marca-passos, que posteriormente acabaram sendo adquiridos com valor acima do mercado.
Organograma da corrupção
Um organograma do esquema foi apresentado pela sindicalista aos deputados.

Por volta das 12h30, durante o depoimento, Marli passou mal e começou a chorar. A sessão foi interrompida por alguns minutos.
A presidente do SindSaúde entregou aos membros da CPI uma cópia de áudios gravados pelo ex-subsecretário Marcos Júnior em que ele explica o papel de cada um dos atores que trabalhavam no esquema e a ligação deles com o chefe do Executivo e a primeira-dama. A sindicalista apontou que as investigações começaram a partir de um contrato de manutenção de veículos da Secretaria de Saúde, firmado pela Secretaria de Planejamento e Gestão com a empresa Ticktcar. A firma, responsável pelo reparo de 1,5 mil carros, recebia R$ 12 milhões por ano.
O momento mais tenso da sessão foi protagonizado pelo deputado Roosevelt Vilela (PSB). O governista iniciou uma série de perguntas sobre contratos e acusou Marli de atrapalhar os trabalhos da CPI da Saúde ao levar a documentação ao MPDFT e não à comissão. O distrital chegou a se levantar da cadeira para bater boca com a sindicalista e foi interrompido pelo presidente do colegiado, deputado Wellington Luiz (PMDB), que pediu respeito à Casa (Veja vídeo). “Você sempre esteve preocupada com o poder”, disse Roosevelt .
Distritais na mira
Antes do início da sessão, os deputados Cristiano Araújo (PSD) e Robério Negreiros (PSDB) – ambos integrantes da CPI, também citados em conversa gravada por Marli com o ex-secretário da Saúde do DF Fábio Gondim e o ex-subsecretário de Logística e Infraestrutura Marcos Júnior – falaram sobre o caso. Os dois negaram qualquer envolvimento no suposto esquema.
No áudio, Marco Júnior afirma que Robério, em troca de apoio ao ex-diretor do Fundo de Saúde do DF Ricardo Cardoso, pediu o pagamento de uma dívida de 2014 ao Hospital Santa Marta referente a leitos de UTIs. Para que a operação não chamasse a atenção, Cardoso visitou diversas UTIs contratadas pela Secretaria de Saúde e, posteriormente, os valores teriam sido repassados aos hospitais. Confira detalhes da conversa.
O deputado Robério Negreiros se defendeu. “Não tenho de maneira direta ou indireta qualquer participação em empresa com contrato com o governo, apenas a intenção de fazer o melhor para a saúde. Tenho absoluta certeza que não sentei com ninguém. Não autorizei ninguém a falar em meu nome e não tenho cargos no GDF.”
Cristiano Araújo seguiu a mesma estratégia e negou qualquer envolvimento com o caso. “Eu não indiquei ninguém na saúde. Estive lá duas ou três vezes tratando de assuntos extremamente republicanos. Não tenho nada a temer. Não tenho relação nenhuma nesse governo também. Estou absolutamente tranquilo.”
Resposta do Santa Marta
Por meio de nota, o Hospital Santa Marta “confirma a existência de crédito pendente com a Secretaria de Saúde do DF, referente ao contrato de prestação de serviços encerrado em abril de 2015”. A instituição destaca ainda que, “mesmo antes do encerramento do contrato, empenhamos esforços cotidianos, sempre utilizando meios oficiais, para receber o valor da dívida. A notória inadimplência do Estado é, inclusive, abordada amplamente pela imprensa desde 2011, pois há, até hoje, dívidas a serem pagas para diversos hospitais privados do DF, entre eles o Santa Marta”.
Ainda segundo o documento, o hospital diz “repudiar qualquer suposição de busca de favorecimentos, uma vez que nosso crédito vem sendo buscado de maneira oficial. Ressaltamos que um dos principais valores do Hospital Santa Marta é a transparência e, portanto, a Instituição encontra-se à disposição para quaisquer esclarecimentos”.


