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A falta de acordo dentro da própria legenda levou o líder do Partido dos Trabalhadores (PT) na Câmara Legislativa, Wasny de Roure, a entregar o cargo na terça-feira (11/10). Contrariado pelos seus correligionários Chico Vigilante e Ricardo Vale, o veterano distrital ligou para o presidente regional do partido, Roberto Policarpo, para comunicar a decisão.

O ponto final para Wasny foi a votação, ainda na terça (11), do projeto que aprovou a doação e a incorporação de imóveis para tentar cobrir o rombo de R$ 1,2 bilhão no Fundo de Previdência dos servidores do Distrito Federal (Iprev). O distrital apontou uma série de equívocos no Projeto de Lei Complementar n° 74/2016 e no Projeto de Lei n° 1.252/2016 e votou contra a aprovação de ambos. Ainda assim, seus colegas de partido acompanharam a base governista.

“Eu não vejo por que continuar como líder. Durante o debate, tenho ficado isolado. Por isso, comuniquei ao presidente (do partido) e depois vou cuidar do meu mandato. Não posso continuar na liderança enquanto tem deputado cuidando de seus interesses junto ao governador”, atacou Wasny, sem citar nomes.

Refis
Outro exemplo de desgaste recente citado por Wasny foi a votação do Programa de Refinanciamento Fiscal (Refis). Segundo o parlamentar, ele reclamou da proposta que abriu novo prazo para quem tem débitos com o GDF, mas foi ignorado pelos colegas de partido. Dias depois, a proposta motivou denúncia do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) contra o governador Rodrigo Rollemberg (PSB) por improbidade administrativa.

O presidente do PT local lamentou a decisão de Wasny, que demonstra a fragmentação do partido na CLDF. “Para a gente é muito ruim que a bancada esteja dividida”, afirmou Policarpo. Segundo o dirigente, a legenda ainda vai decidir quem será o próximo líder até o fim do ano: Ricardo Vale ou Chico Vigilante.

Majoritária
Este deve ser o último mandato de Wasny de Roure na Câmara Legislativa. O petista quer tentar voos mais altos em 2018: a Câmara dos Deputados ou o Senado. Até lá, o PT terá que trabalhar a própria imagem, que ficou muito desgastada após a sucessão de escândalos de corrupção descobertos na Operação Lava Jato e com o impeachment da agora ex-presidente Dilma Rousseff.

A impopularidade do PT foi evidenciada nas eleições municipais deste ano. O partido perdeu 45% das cadeiras de vereador nas cidades: elegeu apenas 2.795, contra 5.067 em 2012.

No primeiro turno, elegeu 256 prefeitos e comandará, no máximo, 263 cidades a partir de 2017, caso vença nos sete municípios em que ainda participa da disputa. É uma queda de 60% em comparação a 2012, quando o PT foi bem-sucedido em 638 candidaturas.

Nota do PT
Nesta quinta-feira (13), a Executiva do partido no DF publicou nota sobre a saída de Wasny. Confira a íntegra do documento:

“O PT do Distrito Federal lamenta as divergências da sua bancada de deputados distritais que levou o deputado Wasny de Roure a entregar a liderança do partido na Câmara Legislativa.

O PT presta solidariedade ao deputado Wasny e reafirma a sua posição de oposição incondicional ao governo Rollemberg.

Aproveita, ainda, para confirmar a defesa intransigente da classe trabalhadora em geral, dos servidores públicos em especial e de serviços públicos de qualidade que atendam os anseios da população.

O PT conclama os seus parlamentares, dirigentes e militantes a adotarem posturas que deixem bem claro para a sociedade que as propostas e ações do governo Rolemberg não são as melhores para o Distrito Federal e que, portanto, somos contra. Isso contribuirá para a unidade e para o resgate do respeito ao nosso partido.”

 

 

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