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Política

Delator confirma propina de R$ 2 milhões da Via Engenharia para Agnelo

Em depoimento no dia 26 de abril de 2017, Rodrigo Leite, da Andrade Gutierrez, detalhou que a propina foi fechada em 4% do total da obra

26/05/2017 12:11, atualizado 23/11/2017 20:06
Dênio Simões/GDF
Delator confirma propina de R$ 2 milhões da Via Engenharia para Agnelo

A delação de Rodrigo Leite Vieira, da Andrade Gutierrez, coloca a Via Engenharia no meio das negociações e pagamentos de propina para a reconstrução do Mané Garrincha. O colaborador confirmou que a empreiteira brasiliense pagou R$ 2 milhões a Agnelo Queiroz (PT) no final de 2014, quando o petista governava o Distrito Federal. Segundo Rodrigo, o valor seria uma parte da negociação de 4% em propina a ser dada ao então número um do Palácio do Buriti sobre o valor líquido da obra – o estádio custou R$ 1,5 bilhão aos cofres do GDF.

O depoimento de Rodrigo Leite embasou o inquérito da Polícia Federal, ao qual o Metrópoles teve acesso, que desencadeou na Operação Panatenaico. A ação da PF culminou na prisão de Agnelo, do ex-governador José Roberto Arruda (PR) e do ex-vice-governador Tadeu Filippelli (PMDB). Designado pela Andrade para tratar de assuntos referentes ao Mané Garrincha, o gerente comercial Rodrigo Leite disse em depoimento que lidava diretamente com Cláudio Monteiro, ex-secretário da Copa; Maruska Lima, ex-presidente da Terracap, e Nilson Martorelli, ex-diretor da Novacap. Os três também foram presos na Panatenaico.

O relato de Rodrigo Leite às autoridades data de 26 de abril deste ano. Ele contou que, ao começar a atuar na obra, foi informado sobre a existência de um esquema de pagamento de propina no empreendimento por dois superiores. Os então superintendente comercial da Andrade no Centro Oeste, Rodrigo Lopes, e gerente comercial da empresa para o Governo do Distrito Federal, Carlos José, lhe revelaram que os pagamentos ilegais eram de cerca de 4% sobre o valor líquido da obra.

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Somente em 2014, disse Leite à força-tarefa da Lava Jato, foram feitos 12 pagamentos a título de propina. Rodrigo Leite garantiu que a Via Engenharia, integrante do consórcio ao lado da Andrade Gutierrez, pagou R$ 2 milhões a Agnelo Queiroz. O delator teria, então, conversado com Luiz Fernando Almeida Domênico, sócio da Via, para saber os custos que a Andrade teria com esse pagamento ao então governador petista. Mas o depoimento não revela essa informação.

Veja as fotos da Operação Panatenaico:

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A mulher de Agnelo, Ilza Queiroz, e o advogado dele saem da casa do ex-governador, no Setor de Mansões Dom Bosco
Viaturas da Polícia Federal na casa de Agnelo
Agentes estiveram na casa do ex-vice-governador Tadeu Filippelli
Maruska Lima (à direita) ao lado do ex-governador Agnelo Queiroz
Tadeu Filippelli foi levado pela Polícia Federal de sua casa, na QI 17 do Lago Sul
A operação foi deflagrada em 23 de maio
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A operação foi deflagrada em 23 de maio

Rafaela Felicciano/Metrópoles
A mulher de Agnelo, Ilza Queiroz, e o advogado dele saem da casa do ex-governador, no Setor de Mansões Dom Bosco
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A mulher de Agnelo, Ilza Queiroz, e o advogado dele saem da casa do ex-governador, no Setor de Mansões Dom Bosco

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Viaturas da Polícia Federal na casa de Agnelo
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Viaturas da Polícia Federal na casa de Agnelo

Michael Melo/Metrópoles
Agentes estiveram na casa do ex-vice-governador Tadeu Filippelli
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Agentes estiveram na casa do ex-vice-governador Tadeu Filippelli

João Gabriel Amador/Metrópoles
Maruska Lima (à direita) ao lado do ex-governador Agnelo Queiroz
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Maruska Lima (à direita) ao lado do ex-governador Agnelo Queiroz

Agência Brasil
Tadeu Filippelli foi levado pela Polícia Federal de sua casa, na QI 17 do Lago Sul
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Tadeu Filippelli foi levado pela Polícia Federal de sua casa, na QI 17 do Lago Sul

João Gabriel Amador/ Metrópoles
Tadeu Filippelli chegando à sede da Polícia Federal
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Tadeu Filippelli chegando à sede da Polícia Federal

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Filippelli e os demais suspeitos ficaram presos durante oito dias
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Filippelli e os demais suspeitos ficaram presos durante oito dias

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Fernando Queiroz, dono da Via Engenharia, na chegada à sede da PF em Brasília: ele está entre os 21 indiciados
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Fernando Queiroz, dono da Via Engenharia, na chegada à sede da PF em Brasília: ele está entre os 21 indiciados

Rafaela Felicciano/ Metrópoles
A ex-presidente da Terracap Maruska Lima de Souza Holanda (de bolsa vermelha) também foi presa
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A ex-presidente da Terracap Maruska Lima de Souza Holanda (de bolsa vermelha) também foi presa

Rafaela Felicciano/ Metrópoles
Cláudio Monteiro (de azul), ex-secretário da Copa, foi um dos investigados
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Cláudio Monteiro (de azul), ex-secretário da Copa, foi um dos investigados

Rafaela Felicciano/ Metrópoles
Fernando Márcio Queiroz, presidente da Via Engenharia, é um dos envolvidos no esquema de propina ligado à obra do Estádio Mané Garrincha
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Fernando Márcio Queiroz, presidente da Via Engenharia, é um dos envolvidos no esquema de propina ligado à obra do Estádio Mané Garrincha

Rafaela Felicciano/ Metrópoles
O ex-governador Agnelo Queiroz foi o último a chegar à Polícia Federal no dia da prisão
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O ex-governador Agnelo Queiroz foi o último a chegar à Polícia Federal no dia da prisão

Daniel Ferreira/ Metrópoles
Ex-governador Agnelo Queiroz  é acusado de receber propina durante obra do Mané Garrincha
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Ex-governador Agnelo Queiroz é acusado de receber propina durante obra do Mané Garrincha

Daniel Ferreira/ Metrópoles

Pagamento no canteiro de obras
De acordo com o relato de Rodrigo Leite, o intermediário de Agnelo Queiroz era Jorge Salomão, também preso na operação da PF, com quem ele combinaria, por telefone, valores a serem repassados em propina ao petista e os locais de pagamento. No dia 7 de julho de 2014, por exemplo, Salomão teria recebido R$ 50 mil no canteiro de obras do estádio.

Outra revelação de Rodrigo foi o pagamento de propina em cima de aditivos firmados no contrato: algo em torno de 1% do valor total. A negociação teria sido feita no restaurante Botarga, no Lago Sul. Segundo Rodrigo Leite, a porcentagem renderia cerca de R$ 50 milhões em repasses ilícitos, mas a conta não fecha: para que o percentual de 1% dê esse resultado, o valor total dos aditivos deveria ser de R$ 5 bilhões.

O relator, porém, ignorou a estranha matemática e passou a detalhar a divisão da propina sobre os aditivos da obra. Segundo ele, R$ 500 mil foram para Maruska Lima e R$ 500 mil para Nilson Martorelli, à época presidentes da Terracap e da Novacap, respectivamente. A Andrade Gutierrez, segundo o delator, teria ficado responsável pelo pagamento de R$ 250 mil para cada, mas entregou apenas R$ 175 para Maruska, por meio de um homem conhecido como “professor Pedro”. Para isso, foram firmados contratos fictícios com uma empresa de consultoria técnica no BRT do Gama. O delator disse que também foram pagos R$ 100 mil na casa de Martorelli, no Lago Sul.

O advogado de Agnelo Queiroz, Paulo Guimarães, informou que o ex-governador “nega enfaticamente todas as acusações contidas nos depoimentos dos delatores da Andrade Gutierrez, como esta relacionada ao recebimento ilícito de 2 bilhões de reais”. A Via Engenharia declarou que, no momento, não vai se manifestar.