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Num espaço de 11 dias, a família Roriz passou por momentos de dor e apreensão. O patriarca do clã enfrentou duas cirurgias delicadas para conter infecções causadas pela diabetes. Primeiro, em 19 de agosto, Joaquim Roriz amputou dois dedos do pé esquerdo. As dores não cessaram e, no dia 30, o ex-governador do Distrito Federal teve de tirar parte da perna direita. A previsão é que o político receba alta do hospital na próxima segunda-feira (4/9), caso não tenha novas complicações.

O patriarca da família Roriz luta para se recuperar no momento em que o cenário político começa a entrar em ebulição. A praticamente um ano da corrida eleitoral de 2018, ele aparece numa pesquisa espontânea recentemente encomendada por parlamentares brasilienses como o terceiro mais bem cotado para o cargo de governador do DF, ficando atrás apenas do senador Reguffe (sem partido) e do ex-secretário de Saúde do DF Jofran Frejat (PR).

No período da pesquisa, Roriz já enfrentava o agravamento da doença. Apesar de continuar popular entre os brasilienses, o político está com a saúde debilitada e dificilmente terá forças para participar das campanhas de 2018, ainda que seja apenas apoiando e subindo nos palanques. Diariamente, ele é submetido a três horas de hemodiálise por complicações renais.

O ex-governador também está em cadeira de rodas por complicações na coluna e, nos últimos anos, problemas identificados inicialmente como isquemias cerebrais revelaram que ele tem Alzheimer. A possível ausência física do patriarca do clã Roriz nas próximas eleições indica um enfraquecimento ainda maior do sobrenome na política do DF.

Atualmente, apenas Liliane Roriz (PTB) tem mandato. Em 2014, ela foi eleita com 16.745 votos, bem menos do que os 21.999 conquistados em 2010. Na próxima eleição, Liliane deve enfrentar uma dificuldade ainda maior. Como foi delatora do esquema que resultou na Operação Drácon, gravando e entregando os colegas da Câmara Legislativa ao Ministério Público, pode ter problemas para conseguir uma composição política.

Além disso, Liliane tenta reverter uma condenação do Tribunal Regional Eleitoral (TRE-DF) de 4 anos, 5 meses e 8 dias de prisão em regime semiaberto pelos crimes de compra de votos e falsidade ideológica na campanha de 2010. Ainda cabe recurso ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Inelegibilidade
A outra filha de Roriz que seguiu na política, Jaqueline, estará fora da próxima corrida eleitoral. Em 2014, o TRE-DF cassou a candidatura dela à Câmara dos Deputados com base na Lei da Ficha Limpa, depois de uma condenação por envolvimento no esquema da Caixa de Pandora. Ela recorreu, mas o TSE manteve o registro cassado, o que a deixou inelegível por oito anos.

Neste cenário, há quem certamente tentará usar o sobrenome para conquistar o seu espaço na política. Um deles é Dedé Roriz. O sobrinho do ex-governador faz questão de demonstrar intimidade e proximidade com a família. Desde que Roriz foi internado, Dedé usa as redes sociais para publicar fotos ao lado da família, sempre chamando o ex-governador de tio.

O uso da imagem de Joaquim Roriz não se restringe à família. A internação do ex-governador acabou sendo motivo de publicações e mensagens de força entre vários políticos. O distrital Cristiano Araújo (PSD) fez uma arte pedindo força ao ex-chefe do Palácio do Buriti, mas, no pé da imagem, assinou o próprio nome. A atitude foi encarada entre seus pares e aliados do ex-governador como uma tentativa de aproveitar o nome de Joaquim Roriz e indicar proximidade com ele, que sempre teve muito apelo popular.

Reprodução

 

Justiça
A situação da família Roriz não se restringe ao difícil processo emocional que enfrenta desde as complicações de saúde do ex-governador. Processos judiciais em andamento preocupam o clã. Recentemente, a defesa de Roriz apresentou ao Ministério Público do DF e Territórios (MPDFT) um relatório médico dizendo que ele está com demência mental.

Seria uma tentativa de encerrar a ação em que ele, as filhas Weslliane, Jaqueline e Liliane respondem por improbidade administrativa. O neto do patriarca, Rodrigo Domingos Roriz, também é alvo da ação.

Segundo o MP, Joaquim Roriz, enquanto governador do DF, teria facilitado um empréstimo de R$ 6,7 milhões do Banco de Brasília (BRB) à construtora WRJ Engenharia em troca de 12 apartamentos no Edifício Monet, em Águas Claras. Os parentes dele teriam sido beneficiados. Em outubro de 2016, a 5ª Turma Cível do Tribunal de Justiça do Distrito Federal e Territórios (TJDFT) acatou recurso e absolveu os integrantes da família Roriz, que haviam sido condenados em primeira instância por crime de improbidade administrativa.

O MPDFT, no entanto, vai recorrer ao Superior Tribunal de Justiça (STJ) e, se preciso, ao Supremo Tribunal Federal (STF). Por isso, os promotores pediram que Roriz passasse por perícia para confirmar a doença mental. A solicitação do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) foi acolhida pelo juiz Paulo Marques da Silva, da 2ª Vara Criminal de Brasília. Caso seja confirmada a doença, os promotores vão tentar dividir o processo para que não tenha prejuízo no andamento da denúncia contra os outros réus.

 

 

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