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O ex-governador Agnelo Queiroz (PT) e o vice dele à época, Tadeu Filippelli (PMDB), teriam recebido R$ 8 milhões em propina para as obras do BRT Sul. O valor corresponde a 4% do total recebido pela empreiteira Andrade Gutierrez para tocar o empreendimento. PT e PMDB também teriam sido beneficiados. As informações estão na delação premiada de Rodrigo Lopes, ex-diretor da Andrade Gutierrez. O depoimento foi prestado ao Ministério Público Federal (MPF) em 29 de setembro de 2016, no âmbito da Operação Lava Jato.

Agnelo e Filippelli teriam procurado a empreiteira para as negociações quando ainda eram candidatos a governador e a vice, em 2010. Segundo Lopes, eles cobraram R$ 500 mil em cada turno da campanha em troca da manutenção das obras. O montante teria sido pago por meio de doações oficiais, simulação de contratos de prestação de serviço e propina.

Os executivos Carlos José e Rodrigo Leite, ambos da Andrade Gutierrez, eram os designados para efetuar os pagamentos. “Os valores da propina eram gerados pela obra, quando em espécie, e lançados na contabilidade como despesa”, disse Lopes ao MPF. Segundo o delator, o empresário Afrânio Roberto de Souza Filho, apontado como operador de Filippelli, seria o responsável por receber propinas em dinheiro vivo.

O ex-executivo da Andrade Gutierrez acredita que as outras duas principais empresas integrantes da obra do BRT Sul— a OAS e a Via Engenharia — pagaram os mesmos valores à dupla. Dessa forma, a propina total teria chegado a R$ 24 milhões.

Suspeitas
O Ministério Público Federal, no âmbito da Operação Panatenaico, já suspeitava que o BRT Sul foi usado para desviar dinheiro público. A obra foi orçada inicialmente em R$ 587,4 milhões, mas foi executada por R$ 704,7 milhões. O sistema de transporte expresso liga Santa Maria e Gama ao Plano Piloto.

A Operação Panatenaico, deflagrada na última terça-feira (23) levou 10 pessoas à prisão. Entre elas, Agnelo Filippelli e o ex-governador José Roberto Arruda (PR).

 

 

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