*
 

Cercada por alunos, Márcia Abrahão chegou nesta quinta-feira (1º/9) para a apuração dos votos que a escolheria como a primeira reitora em 54 anos de existência da Universidade de Brasília (UnB). Desde o primeiro momento, os estudantes demonstravam apoio à candidata e criticaram a falta de diálogo com o atual reitor, Ivan Camargo, que tentava a reeleição. E foi com o apoio deles que a professora Márcia recebeu a maioria dos votos.

Pregando o diálogo como a principal ferramenta de gestão, Márcia Abrahão conquistou ainda os técnicos-administrativos da UnB. Entre eles, teve três vezes mais apoiadores que Ivan Camargo, vencendo a eleição no primeiro turno com 53,3% dos votos totais. Seu nome ainda terá de se referendado pelo presidente da República, Michel Temer (PMDB-SP) para ocupar o cargo.

Logo após conquistar a maioria dos votos, a diretora do Instituto de Geociências falou com o Metrópoles sobre os futuros desafios, entre eles, falta de recursos e de segurança. Márcia Abrahão planeja uma gestão mais ágil e continuar ampliando a UnB, como fez enquanto era decana de Ensino de Graduação e coordenou o Programa de Reestruturação Universitária (Reuni), o que garantiu a liberação de recursos para a expansão da universidade com novos campi. Confira a entrevista abaixo.

Metrópoles – O que a senhora fará para melhorar a UnB?

Márcia Abrahão –  Eu sou reconhecida como uma pessoa de gestão ágil, tanto eu quanto o professor Enrique Huelva (eleito vice-reitor). Nossa administração vai modernizar a gestão da UnB, simplificar processos, descentralizar mais a universidade. A universidade cresceu muito, está com quatro campi, e continua centralizada na reitoria. Nossa intenção mesmo é, além de apostar no diálogo, fazer uma gestão mais ágil, mais transparente, mais democrática.

Como consolidar os novos campi e atender às demais demandas de funcionários e técnicos?

Márcia Abrahão – Há necessidade de ampliar a infraestrutura dos campi, para os alunos terem acesso a mais laboratórios. Nós vamos também facilitar a progressão funcional dos professores, seguindo o que está na lei. Essa é uma demanda dos docentes, para que eles possam subir de nível na carreira. Outras universidades já fazem isso, enquanto a nossa penaliza os docentes, que precisam ir à Justiça para conseguir. Sobre a diminuição da jornada de trabalho, a universidade cresceu muito, ela tem de funcionar de manhã, de tarde e à noite, sendo uma universidade plena. Isso demanda ter turnos de trabalho definidos.

A questão orçamentária e possíveis cortes são preocupantes?

Márcia Abrahão – É uma preocupação, mas a preocupação maior é executar bem o orçamento. Nós vamos trabalhar para não ter corte no orçamento, buscar recursos fora, fazer parcerias com o Governo do Distrito Federal, com as empresas. Quem tem um bom projeto consegue captar dinheiro.

A segurança tem sido muito debatida dentro da UnB. Como melhorar isso?

Márcia Abrahão – A gente vai trabalhar muito com o Governo do Distrito Federal, aumentar a informação aqui dentro, ter uma segurança integrada. Temos câmeras nos estacionamentos que custaram uma fortuna e estão desligadas. Existe uma parte que vai exigir recurso e outro que exige gestão.

A gente percebeu um apoio dos estudantes que se declaram de esquerda e contrários ao presidente Michel Temer. Essa é sua posição?

Márcia Abrahão – Não, na verdade, eu tenho apoiadores de todos os lados. Aliás, tem várias pessoas que apoiaram o atual reitor na eleição passada e agora ficaram do nosso lado. Então eu consigo andar em todos os lados da universidade, isso é uma coisa interessante, eu converso com todos. Nada a comentar sobre o impeachment.

 

 

COMENTE

UnBeleiçõesreitoria
comunicar erro à redação