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Um grupo de 120 catadores de lixo, carroceiros e representantes da comunidade da Estrutural fazem uma passeata nesta sexta-feira (13/1) contra o fechamento do lixão da cidade, o maior da América Latina. Os manifestantes se concentraram na Estrutural às 6h e seguiram a pé até o Palácio do Buriti. A manifestação ocorreu de forma organizada. Eles ocuparam duas faixas da Estrutural e não houve grande impacto no trânsito.

A principal reivindicação do ato é a inclusão social dos catadores, que devem ficar sem emprego com a transferência do despejo de resíduos para o aterro sanitário de Samambaia. A previsão é que essa unidade seja inaugurada ainda este mês.

 

“Estamos muito preocupados. Cerca de 40% da economia comunitária é baseada nos catadores. O medo é de que o comércio vá à falência e a criminalidade cresça”, explica Paulo Batista, membro do Conselho Comunitário da Estrutural.

Batista afirma que, até agora, a única proposta oferecida pelo governo é a disponibilização de um auxílio de R$ 300 por mês aos catadores, por 10 meses. O conselheiro, no entanto, alega que o benefício só seria entregue a 900 dos 2 mil trabalhadores que atuam no lixão e que a renda mensal deles atualmente é de cerca de R$ 1,5 mil.

Promessas de Rollemberg
A inclusão social dos catadores e uma transição cuidadosa do lixão para o aterro sanitário são, inclusive, promessas feitas pelo governador Rodrigo Rollemberg (PSB), durante sua campanha para o Executivo local, em 2014.

Um vídeo divulgado na época e relembrado agora mostra Rollemberg afirmando que é “amigo” dos catadores. Na gravação, o governador afirma aos trabalhadores: “Vamos implantar a coleta seletiva de fato no Distrito Federal, incorporando os catadores de material reciclável neste processo, garantindo que você tenha uma melhor renda e melhores condições de trabalho”.

Também na filmagem, Rollemberg garante: “Todo o processo de implantação do aterro sanitário será feito incorporando vocês, ouvindo vocês, melhorando as suas condições de trabalho e melhorando a sua renda. Contem comigo”, afirma.

 

Centros de triagem
As promessas, no entanto, não foram cumpridas pelo governador, segundo os manifestantes. O grupo afirma que há um ano tenta se reunir com Rollemberg, sem sucesso. Eles cobram a construção de galpões onde funcionariam os serviços de triagem dos resíduos, antes de serem encaminhados ao aterro.

Na falta dos galpões, os catadores propõem a utilização do próprio lixão da Estrutural como centro de triagem. No entanto, Paulo Batista afirma que, em reunião nesta quinta (12), o governo se negou a oferecer uma nova proposta.

Aterro sanitário
O Aterro Sanitário de Brasília deve começar a funcionar ainda neste mês. Metade do espaço, que ao todo tem 760 mil metros quadrados, será utilizado para o recebimento de rejeitos. Inicialmente, 900 toneladas de resíduos devem ser despejadas no local diariamente.

 

 

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