Classes A e B têm notas maiores no Enem, aponta pesquisa

Estudo indica que 73% dos estudantes com resultados superiores a 600 pontos são de grupos de maior renda. Notas mais baixas do país são de escolas públicas

atualizado

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Hélvio Romero/Estadão Conteúdo
Enem
1 de 1 Enem - Foto: Hélvio Romero/Estadão Conteúdo

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) foi criado em 1998 para avaliar a qualidade do ensino médio nacional e, em 2009, transformou-se na principal porta de entrada para o ensino superior. Uma pesquisa mostra que a prova ainda reflete as desigualdades sociais do Brasil. Para se ter ideia, 73% dos estudantes com notas superiores a 600 pontos são das classes A e B.

O estudo foi realizado pelo portal Mundo Vestibular em parceria com a Educa Insights, empresa especializada em pesquisas educacionais, a partir de dados dos 8,7 milhões de participantes do Enem 2014.

De acordo com o levantamento, apenas 27% dos participantes com nota superior a 600 pontos são oriundos das classes C, D e E. A proporção se inverte quando se avaliam os resultados abaixo de 450 pontos: 76,5% das classes C, D e E, contra 23,5% das classes A e B.

Quando se leva em conta se os estudantes vêm de escolas públicas ou privadas, a diferença não é tão gritante entre os melhores resultados, com 56% das privadas versus 44% das públicas. Porém, a desigualdade se torna alarmante entre as notas mais baixas, uma vez que 94% de todos que fizeram menos de 450 pontos cursaram o ensino médio em escolas estaduais ou municipais.

“Os dados provam que não só o estudo, mas também todo o background do aluno influencia seu desempenho no Enem. Olhando os dados do exame, é possível perceber o abismo de oportunidades que existe hoje no Brasil”, diz Fernanda Lapidus Hecht, gestora do Mundo Vestibular.

Estudantes trabalhadores
Outro dado interessante encontrado na análise é a parcela de alunos que trabalham ou já trabalharam entre os melhores e piores desempenhos. De todos aqueles que fizeram mais de 600 pontos, apenas 32% já passaram pelo mercado de trabalho, índice que sobe para 52% entre os que tiraram menos de 450. Além disso, os mais novos também se saem melhor. A média de idade dos que tiraram as notas mais altas é de 20 anos. Quem tirou as notas mais baixas, por sua vez, tem, em média, 23 anos.

A pesquisa traz um desafio. “Como um todo, o desempenho dos alunos brasileiros no Enem ainda não é satisfatório. Apenas 9% deles pontuaram além dos 600, enquanto 69% ficaram abaixo dos 450 pontos. Temos muito trabalho pela frente para reverter isso”, comenta Daniel Infante, diretor da Educa Insights. Hoje, o exame é responsável por selecionar mais de 20% dos estudantes que ingressam em faculdades e universidades pelo país, tanto públicas quanto privadas.

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