Após anos de sofrimento, aprendi a vencer o meu pânico de avião

Sempre tive medo de voar. Mas, após o nascimento dos meus filhos, piorou

Eu não sei ao certo quando começou, mas tive, por muitos anos, medo de avião. Mais nova, era apenas um receio. Quando tive filhos, virou verdadeiro pânico. Esse problema me acompanhou por um período bastante longo. Hoje estou bem melhor, mas ainda não me sinto completamente tranquila para viajar.

Na minha pior fase, deixei de ir a muitos lugares. Várias vezes, fui ao aeroporto achando que meus filhos iriam ficar órfãos, tinha palpitações, dava um nó na garganta e sofria com ansiedade. Um verdadeiro martírio.

Passei por muitas experiências desagradáveis dentro de aeronaves: tempestades, turbulências fortíssimas, até um pedaço da asa já caiu. Todas essas situações fizeram meu medo agravar-se. Qualquer pequena chacoalhada me deixava completamente transtornada.

O carro, seguido da bicicleta, do ônibus e do trem, é o meio de transporte que mais mata. Apesar de saber dessa informação, tenho mais medo de avião. Não sei se é porque ficamos muito distante do chão, pelo fato de não poder fazer nada se acontecer algum problema ou por sua vida estar na mão de alguém desconhecido. Afinal de contas, a maioria dos acidentes aéreos são causados por erros humanos.

Como sei que as partes mais delicadas de um voo são decolagem e aterrissagem, começava a rezar ainda quando o avião estava taxiando. Só finalizava minhas orações quando atingíamos uma altitude de 10 mil pés. Não sei de onde tirei isso, mas era um ritual.

Além disso, não viajava, de maneira nenhuma, no fim do dia, porque as grandes tempestades se formavam nessa hora. Me organizava de maneira que eu não decolasse nem pousasse nesse momento de formação de chuvas pesadas.

Tudo começou a melhorar de dois anos para cá. Entendi algumas coisas: quando está muito quente, o avião vai balançar – e muito – mesmo sem nuvens no céu, as aeronaves são projetadas para suportar isso, senão caia uma todos os dias.

Além disso, a tecnologia faz a aeronave andar quase sozinha e os pilotos foram treinados simulando as piores situações possíveis. Passei a viajar mesmo com medo. Porém, isso estava atrapalhando muito a minha vida e queria mudar.

Ainda fico bem receosa quando o tempo está muito ruim, não me agrada olhar pela janela e ver tudo branco ou, pior, com raios. Continuo me organizando para voar com previsões de tempo bom e, caso as nuvens comecem a ficar densas, fecho o blackout da janela. Prefiro não olhar para fora.

Rezo, mas, agora, apenas antes de decolar. Tenho uma prece especifica para viagens que me ajuda muito e inclui um agradecimento quando as rodas da aeronave tocam no chão. Estou bem mais tranquila. O desespero só piora a situação.

Viajar é muito bom, uma das melhores coisas da vida. Acredito mesmo que o risco de voar existe, mas ele é baixo e devemos pensar positivamente, senão nem viver a gente vive.