Quatro mulheres foram assassinadas pelos próprios maridos ou ex companheiros no estado do Rio de Janeiro somente nos quatro primeiros dias do ano.

A última vítima foi Tamires Blanco, de 30 anos, morta em casa, com socos e garrafadas pelo marido, no Morro do Urubu, em Pilares, na zona norte da capital, na noite da última sexta-feira (4/1).

Dados do Observatório Judicial da Violência Contra a Mulher do Tribunal de Justiça do Rio revelam que 2018 registrou recordes nos números de novas ações ajuizadas, concessões de medidas protetivas de urgência e de alguns crimes julgados pelos juizados de violência doméstica do Rio.

De janeiro a novembro do ano passado, foram registrados mais de 111 mil novos processos, perdendo apenas para 2014, considerando todo o período do ano.

Já as concessões de medidas protetivas de urgência, que impedem o agressor ter contado com a vítima, bateram recorde em 2018: foram quase 22 mil registros, 91 a mais que o total computado em 2015.

Os crimes de lesão corporal são os que têm o maior número de processos tramitando no Tribunal de Justiça. Foram mais de 46 mil registros até novembro de 2018, superando todo o ano de 2016.

Para a juíza Katerine Jatahy, da Coordenadoria Estadual da Mulher em Situação de Violência Doméstica e Familiar, é difícil avaliar se o aumento é fruto do crescimento de fato da violência ou se mais mulheres estão procurando ajuda.

As mulheres vítimas de violência no estado devem registrar ocorrência nas Delegacias do Estado ou nas Especializadas de Atendimento à Mulher.

O Tribunal de Justiça e a Defensoria Pública assinaram em agosto do ano passado o Protocolo Violeta/Laranja-Feminicídio, que agiliza as concessões das medidas protetivas, reduzindo o espaço de tempo entre o registro do fato e a decisão judicial que concede medidas protetivas.

O Projeto Violeta, iniciativa do Tribunal de Justiça, também atua para acelerar a proteção à mulher e presta serviço com equipe multidisciplinar.

Neste 2019, o Metrópoles inicia um projeto editorial para dar visibilidade às tragédias provocadas pela violência de gênero. As histórias de todas as vítimas de feminicídio do Distrito Federal serão contadas em perfis escritos por profissionais do sexo feminino (jornalistas, fotógrafas, artistas gráficas e cinegrafistas), com o propósito de aproximar as pessoas da trajetória de vida dessas mulheres.

O Elas por Elas propõe manter em pauta, durante todo o ano, o tema da violência contra a mulher para alertar a população e as autoridades sobre as graves consequências da cultura do machismo que persiste no país. Desde 1° de janeiro, um contador está em destaque na capa do portal para monitorar e ressaltar os casos de Maria da Penha registrados no DF. Mas nossa maior energia será despendida para humanizar as estatísticas frias, que dão uma dimensão da gravidade do problema, porém não alcançam o poder da empatia, o único capaz de interromper a indiferença diante dos pedidos de socorro de tantas brasileiras.