Noruega testa semana com quatro dias de trabalho e levanta debate
Na Noruega, jornadas mais curtas e projeto piloto indicam que produtividade pode andar lado a lado com mais tempo livre
atualizado
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Vista de fora, o estilo de vida na Noruega costuma despertar curiosidade. Apesar de a legislação prever uma jornada semanal de 40h, a rotina real é mais flexível: muitos profissionais encerram o expediente ainda no meio da tarde, e a média efetiva gira em torno de 33 horas semanais, terminando por volta das 16h.
Entre os países que vêm repensando o modelo tradicional, a Noruega aparece como uma das nações que analisam com atenção a implementação da semana de quatro dias. A ideia combina redução de carga horária com aumento de eficiência, surgindo como resposta a problemas como o crescimento do absenteísmo e o impacto do trabalho na saúde mental.
Estatísticas recentes apontam a perda de cerca de 2,2 milhões de dias de trabalho por trimestre, sendo aproximadamente um quarto desse total relacionado ao esgotamento, burnout e outras condições ligadas ao ambiente profissional.
Além disso, cerca de 27% dos trabalhadores afirmam cogitar deixar seus empregos para priorizar a vida pessoal — um dado que chamou a atenção da organização 4 Day Week Global.
A entidade, que promove a adoção da jornada reduzida ao redor do mundo, decidiu avançar com um projeto piloto de seis meses na Noruega e na Suécia. A iniciativa, iniciada no fim do ano passado, deve durar até o próximo verão europeu e busca testar, na prática, os efeitos de antecipar o início do fim de semana para a tarde de quinta-feira.
O experimento segue o modelo 100-80-100 — já aplicado em outras experiências, como na Valência — no qual os funcionários recebem 100% do salário, trabalham 80% do tempo e mantêm 100% da produtividade. Com uma cultura já acostumada a jornadas mais curtas, a expectativa é de resultados positivos. Caso se confirmem, a semana de quatro dias pode deixar de ser apenas uma tendência e se consolidar como uma transformação real no mundo do trabalho.
