Autoestima: qual o limite para a vaidade das crianças?

Segundo pesquisa recente, 38% das meninas de 4 anos estão insatisfeitas com seus corpos

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atualizado 01/12/2019 13:19

A ditadura da beleza invade desde cedo a vida das crianças. Seja por meio de anúncios publicitários, seja via redes sociais, os padrões estéticos são empurrados a nova geração em velocidade assustadora. De acordo com a organização australiana Pretty Foundation, 34% das meninas de 5 anos fazem dieta, enquanto 38% se dizem insatisfeitas com os próprios corpos. Muitos pais se perguntam, então,  como desenvolver a autoestima dos filhos na medida certa, sem expô-los a preocupações precoces.

Esses dados assustam profissionais que trabalham com saúde mental.  A psicóloga e especialista em crianças Renata Bento explica que a formação da aparência se inicia na infância.

Segundo ela, a criança se desenvolve a partir do olhar de outra pessoa, sendo os pais os primeiros a nomearem as características que projetam em seus filhos.

“Com oito meses, o bebê começa a ter noção de si mesmo. Ele reúne, dentro de sua revolução psíquica, os pontos daquilo que escutou até então. O processo se dá, sempre, por meio de um espelhamento”, declara.

O psicólogo Damião Silva alerta que, além dos responsáveis, os educadores tem papel fundamental nessa construção da vaidade.

“É importante estabelecer limites sem exageros nos elogios e nas críticas. Eles devem valorizar os esforços e nunca o resultado final”, adverte.

Para Damião, não há uma idade ideal para os primeiros cuidados. Desde a gestação, a criança percebe o afeto dos pais, mesmo que venha de uma forma não-verbal.

Mídias sociais

Autoconfiante, Bruna Mattão, de 8 anos, coloca a vaidade em segundo plano. Por enquanto, não liga tanto para questões que envolvem beleza, como ida a salões, como faz um bebê britânico de menos de dois anos de idade.

“Ela teve a fase do slime. Agora, está empolgada com o futebol. Bruna tem um poder de liderança”, afirma a mãe, a professora Cintia Mattão. Para ela, um dos fatores que colabora é estar longe das redes sociais, nas quais a pequena Bruna não tem nenhuma conta. A interação no universo da web, quando acontece, é somente com sua supervisão.

Cintia procura praticar a disciplina positiva para incentivar a autoestima da menina.

Acredito no desenvolvimento da autonomia de acordo com a idade. Acho importante estimular sua independência 

Cíntia Mattão
Arquivo pessoal
A professora Cíntia controla o acesso da filha, Bruna, na internet

Por sua vez, a estudante de psicologia Thais Gonçalves permite que o filho Lucas Sakaguchi, de 4 anos, tenha contato com o celular.

Para estimular o amor próprio do pequeno, sustenta que é necessário observar o cuidado excessivo em sua educação.

Tudo tem seu tempo. A criança deve construir sua personalidade, mas sem perder a essência

Thais Gonçalves
Arquivo pessoal
A estudante conta que o filho pode mexer no celular, mas também o estimula de outras maneiras

 

A psicóloga Renata Bento defende que a autoestima é uma construção de identidade, que se dá de dentro para fora. As propagandas, por exemplo, são estímulos externos para o público infantil, e causa impactos na forma como eles se vêem no mundo. 

“Cabe aos pais regular o que acreditam ser importante para seu filho”, finaliza a especialista.

Papel dos pais

Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com crianças de 8 a 10 anos constatou que 82% delas desejava ter uma silhueta diferente.

Os principais fatores dessas insatisfação estão ligados à baixa autoestima e à expectativa por parte dos pais e dos amigos para ter o corpo perfeito.

Como a mãe e o pai agem diante dessa situação? O psicólogo Damião Silva estabelece os pontos positivos e negativos para lidar com a vaidade dos pequenos.

Veja, na galeria:

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Frustrar também é cuidar, faz parte da formação de pessoas seguras

Damião Silva

O especialista reitera que o equilíbrio e limite nas relações e criações de vínculos são fundamentais. Todo excesso é prejudicial – e toda ausência também.

Ele salienta que não se deve privar as crianças da realidade. O que precisa ser feito é dar amor e incentivo a elas.

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