Autoestima: qual o limite para a vaidade das crianças?
Segundo pesquisa recente, 38% das meninas de 4 anos estão insatisfeitas com seus corpos

A ditadura da beleza invade desde cedo a vida das crianças. Seja por meio de anúncios publicitários, seja via redes sociais, os padrões estéticos são empurrados a nova geração em velocidade assustadora. De acordo com a organização australiana Pretty Foundation, 34% das meninas de 5 anos fazem dieta, enquanto 38% se dizem insatisfeitas com os próprios corpos. Muitos pais se perguntam, então, como desenvolver a autoestima dos filhos na medida certa, sem expô-los a preocupações precoces.
Esses dados assustam profissionais que trabalham com saúde mental. A psicóloga e especialista em crianças Renata Bento explica que a formação da aparência se inicia na infância.
Segundo ela, a criança se desenvolve a partir do olhar de outra pessoa, sendo os pais os primeiros a nomearem as características que projetam em seus filhos.
“Com oito meses, o bebê começa a ter noção de si mesmo. Ele reúne, dentro de sua revolução psíquica, os pontos daquilo que escutou até então. O processo se dá, sempre, por meio de um espelhamento”, declara.
Entre no canal de WhatsApp do MetrópolesO psicólogo Damião Silva alerta que, além dos responsáveis, os educadores tem papel fundamental nessa construção da vaidade.
“É importante estabelecer limites sem exageros nos elogios e nas críticas. Eles devem valorizar os esforços e nunca o resultado final”, adverte.
Para Damião, não há uma idade ideal para os primeiros cuidados. Desde a gestação, a criança percebe o afeto dos pais, mesmo que venha de uma forma não-verbal.

Mídias sociais
Autoconfiante, Bruna Mattão, de 8 anos, coloca a vaidade em segundo plano. Por enquanto, não liga tanto para questões que envolvem beleza, como ida a salões, como faz um bebê britânico de menos de dois anos de idade.
“Ela teve a fase do slime. Agora, está empolgada com o futebol. Bruna tem um poder de liderança”, afirma a mãe, a professora Cintia Mattão. Para ela, um dos fatores que colabora é estar longe das redes sociais, nas quais a pequena Bruna não tem nenhuma conta. A interação no universo da web, quando acontece, é somente com sua supervisão.
Cintia procura praticar a disciplina positiva para incentivar a autoestima da menina.
Acredito no desenvolvimento da autonomia de acordo com a idade. Acho importante estimular sua independência
Cíntia Mattão

Por sua vez, a estudante de psicologia Thais Gonçalves permite que o filho Lucas Sakaguchi, de 4 anos, tenha contato com o celular.
Para estimular o amor próprio do pequeno, sustenta que é necessário observar o cuidado excessivo em sua educação.
Tudo tem seu tempo. A criança deve construir sua personalidade, mas sem perder a essência
Thais Gonçalves

A psicóloga Renata Bento defende que a autoestima é uma construção de identidade, que se dá de dentro para fora. As propagandas, por exemplo, são estímulos externos para o público infantil, e causa impactos na forma como eles se vêem no mundo.
“Cabe aos pais regular o que acreditam ser importante para seu filho”, finaliza a especialista.
Papel dos pais
Pesquisa realizada pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) com crianças de 8 a 10 anos constatou que 82% delas desejava ter uma silhueta diferente.
Os principais fatores dessas insatisfação estão ligados à baixa autoestima e à expectativa por parte dos pais e dos amigos para ter o corpo perfeito.
Como a mãe e o pai agem diante dessa situação? O psicólogo Damião Silva estabelece os pontos positivos e negativos para lidar com a vaidade dos pequenos.
Veja, na galeria:
Frustrar também é cuidar, faz parte da formação de pessoas seguras
Damião Silva
O especialista reitera que o equilíbrio e limite nas relações e criações de vínculos são fundamentais. Todo excesso é prejudicial – e toda ausência também.
Ele salienta que não se deve privar as crianças da realidade. O que precisa ser feito é dar amor e incentivo a elas.















