Coronavírus: modelo brasileira relata terceira quarentena

A jovem, de 18 anos, estava no grupo de brasileiros resgatados de Wuhan, na China

atualizado 10/04/2020 13:32

A pandemia de coronavírus no mundo fez com que Adrielly Eger, de 18 anos, passe pela terceira quarentena em 2020. A jovem é modelo e morava em Wuhan no momento da eclosão da doença na China. Em depoimento à revista Época, a modelo brasileira conta como enfrenta o isolamento social, fala da repatriação e da situação que vivem no país que foi o epicentro da doença no mundo.

Adrielly revela que até o fechamento de Wuhan, vivia em um apartamento com sete modelos. Porém, no meio da epidemia, apenas outra moça permaneceu no local. Ela é paraguaia e também foi repatriada. No depoimento, a brasileira conta que só percebeu a gravidade da situação quando viu todos ao redor usando máscaras. “Soube mais tarde que minha casa estava localizada onde consideravam ser o marco zero da doença. Eu estava com uma viagem marcada para o Vietnã, onde daria início a um novo contrato [como modelo], mas assim que decretaram a quarentena fiquei presa na cidade que até então era o epicentro do novo coronavírus. A partir desse dia, vi um lugar cheio de vida se tornar um deserto”, revela.

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A jovem conta que, por intermédio de um amigo, entrou em um grupo online de brasileiros que queriam sair da China e buscavam formas de voltar ao país. “Mas as coisas não eram tão simples, porque ninguém tinha real noção do que estava acontecendo e da gravidade da situação. Juntos escrevemos uma carta e gravamos um vídeo pedindo o resgate. Em poucas horas, recebemos um contato do Itamaraty com a notícia de que seríamos repatriados. O alívio e a alegria foram imediatos, porque meu estoque de comida estava quase no fim!”, desabafa.

No relato, Adrielly também fala sobre a volta para casa. “A aeronave estava dividida em três partes. Fiquei na área considerada ‘zona quente’, totalmente isolada, onde os profissionais não podiam entrar sem equipamentos. Duas aeronaves foram utilizadas no processo de volta para o Brasil. O trajeto foi longo. Paramos em em Urumqi, na China; em Varsóvia, na Polônia; nas Ilhas Canárias, na Espanha; e finalmente no Brasil, fazendo uma conexão em Fortaleza até chegar a Goiás, onde passei 14 dias de quarentena na base aérea de Anápolis”, descreve. Este foi o segundo isolamento da modelo.

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“Quando a segunda quarentena terminou, voltei para Piçarras, balneário onde vive minha família, em Santa Catarina. Senti emoção e alívio por estar junto deles depois de tanto isolamento. Em Wuhan, foi assustador. Eu não sabia como lidar com o medo da doença. Na segunda quarentena, em Anápolis, o único problema era segurar a ansiedade. Agora, na terceira, com minha família, sinto uma grande incerteza, uma sensação de instabilidade”, revela a jovem.

Por fim, Adrielly avalia como tem se sentido no Brasil com as regras para o isolamento social. “Muitas pessoas ainda desrespeitam o isolamento e não se preocupam com as prevenções. As coisas são mais ‘relaxadas’ e vejo uma falta de seriedade. Em Wuhan era diferente. Ficar tanto tempo isolada me deixou cansada e ansiosa, mas sei que todas essas medidas são necessárias para que a gente possa vencer o vírus”, diz.

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