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O número zero geralmente está associado a coisas negativas, destituídas de valor. No entanto, sem ele, diversos avanços tecnológicos – como a engenharia moderna, a automação, o sistema binário, que lhe permite usar seu computador – não seriam possíveis.

Procurando entender melhor as origens e nossa compreensão desse número, Robert Kaplan, professor de matemática de Harvard, lançou o livro The Nothing that Is: A Natural History of Zero (O Nada que Existe: Uma História Natural do Zero, em tradução livre).

“O zero está na mente, não no mundo sensorial”, afirmou Kaplan ao site Vox, em referência ao número não ser encontrado na natureza. Mesmo que não exista, o seu próprio conceito e aplicação são essenciais.

Foi a “criação” do zero que permitiu à humanidade adicionar, subtrair e manipular números. Apesar de hoje a diferença entre 17 e 107 parecer básica, os romanos da Antiguidade, por exemplo, não possuíam esse conhecimento do numeral como um marcador. Afinal, como utilizar em operações XVII e CVII?

Além das aplicações matemáticas, reconhecer o zero como um símbolo, uma representação do nada, também tem implicações evolutivas. Embora o juízo de valor sobre o número seja algo exclusivo da raça humana, há experimentos com animais que expõem a capacidade de algumas espécies, como abelhas, de discriminar certos numerais e identificar o zero como algo cujo valor é “inferior a um”.

Apesar de certos avanços em relação às origens do zero, Andreas Nieder, cientista cognitivo da Universidade de Tubingen, na Alemanha, pede cautela: “Há ainda grandes mistérios sobre o assunto, e nós sabemos quase nada sobre como processamos algumas informações – que dirá a respeito de como os animais compreendem o conceito de quantidade”, finaliza, em declaração ao site Vox.